

Naqueles dias, um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no sinédrio. Era mestre da Lei, e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante. Depois disse: “Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se esse projeto ou essa atividade é de origem humana, será destruído. Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus e depois os soltaram. Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus.
O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!
O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
Caríssimos discípulos e discípulas do Cristo Ressuscitado! A Liturgia da Palavra, que acabamos de ouvir, nos apresenta duas reações distintas dos judeus, diante de Jesus Cristo e dos apóstolos, no momento em que eles realizavam as suas pregações, acompanhadas daqueles sinais sobrenaturais que evidenciavam a mão poderosa de Deus. Uns acreditavam neles e aderiam a eles com entusiasmo, tornando-se seus discípulos; outros, sobretudo as autoridades religiosas, os rejeitavam, os perseguiam e os maltratavam!
Os milagres de Jesus eram feitos por ele com a única finalidade de despertar a fé nas pessoas, para que elas acreditassem que ele era Deus. Assim sendo, os judeus, que presenciaram o milagre da multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes, ficaram, com certeza, maravilhados com tal fenômeno; que saciou a fome daquela grande multidão. Muitos destes, porém, vendo o milagre da multiplicação dos alimentos, não viram em Cristo o Messias, e nem acreditaram que ele fizesse tais milagres por ser o Senhor, o Filho de Deus que devia ter vindo a este mundo. Estes homens, distorcendo as coisas, passaram a acreditar que Jesus fosse simplesmente um profeta, muito bem relacionado com Deus, que poderia resolver todos os problemas humanos, mediante os seus poderes miraculosos.
Assim sendo, “vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o profeta, aquele que deve vir ao mundo” (Jo 6, 14). Calcularam que se ele se tornasse rei, todos os problemas seriam resolvidos! Ou seja, Jesus iria, com seus poderes miraculosos, resolver todos os problemas da fome, das doenças, e de todas as carências materiais. Por isso, Jesus mesmo percebeu que os judeus se despertaram à uma falsa fé, e acharam que ele fosse aquele Rei-Messias, filho de Davi, que haveria de instaurar o reino messiânico de Israel. Por isso, “quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte” (Jo 6, 15).
Jesus Cristo tomou esta atitude para dizer aos Judeus que ele não viera a este mundo para dar-lhes o pão que sustentasse os seus corpos, mas para dar-lhes um alimento espiritual que vinha de Deus. Ele queria dar o pão da Palavra, que sustenta o espírito! Ou melhor, como Jesus havia dito em outra ocasião: “O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus” (Mt 4, 4b).
Já as autoridades Judaicas, em Jerusalém, embora tenham visto os milagres que Jesus fazia, não creram nele. Inclusive mais tarde, vendo os inúmeros milagre feitos pelos apóstolos, em nome do Jesus Ressuscitado, não acreditaram que este Jesus que realizava tais milagres fosse, de fato, o Messias, o Senhor e Deus! Permaneceram obstinados em sua dureza de coração, combatendo e odiando Jesus! Perseguiram Jesus até matá-lo! E somente deixaram de perseguir os seus apóstolos, depois da advertência de Gamaliel, que lhes disse: ‘“Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se esse projeto ou essa atividade é de origem humana, será destruído. Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus e depois os soltaram”‘ (At 5, 37-40).
Assim como Jesus Cristo sofreu maus-tratos e perseguição até à morte, da parte dos incrédulos e das autoridades judaicas, os apóstolos sentiram-se felizes por poderem sofrer maus-tratos e injúrias, por causa do nome de Jesus. Como disse o Evangelista: “Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus” (At 5, 41).
Entretanto, caros irmãos, nós não devemos nos posicionar do lado de nenhum destes partidos que se formaram entre o povo judeu e que perseguiram Jesus e os apóstolos. Nós, cristãos e discípulos do Senhor, devemos aderir a Jesus com fé e perseverar firme na nossa esperança, dizendo ao Senhor: “O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes.” (Sl 26, 1; 4; 13).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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