

A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas vendiam-nas, levavam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.
Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e de esplendor! Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis! Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor!
O Filho do homem há de ser levantado, para que, quem crer, possua a vida eterna.
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer, e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”. Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?” Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. Se não acreditais quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”.
Caríssimos discípulos e discípulas do Senhor Ressuscitado! A Liturgia da Palavra de hoje nos mostra as maravilhas que o Cristo Ressuscitado realizou entre os homens e as transformações que o Cristo Senhor, aquele que foi crucificado e ressurgiu dos mortos, realizou junto aos seus discípulos. Graças a sua morte e ressurreição, Jesus Cristo haveria de converter muitos homens a serem seus discípulos, mediante o seu Batismo e o seu Evangelho, dando-lhes a dignidade de filhos de Deus e formando comunidades eclesiais fraternas e solidárias em Jerusalém e em todo o mundo.
O próprio Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, deu-nos um testemunho de sua morte no alto da Cruz e da sua ressurreição gloriosa dos mortos, dizendo que estes seriam os sinais mais expressivos de seu poder e de sua divindade. E disse ainda, que quando ele fosse elevado àquela posição de glória – no alto da Cruz e na ressurreição do Reino Celeste – ele haveria de atrair a si os olhares de todos aqueles que o contemplassem com fé. Pois, somente os que acreditassem nele seriam capazes de vê-lo e de segui-lo! E assim, estes fiéis discípulos obteriam do Salvador Ressuscitado a graça da salvação e da vida eterna! Por isso, Jesus disse a Nicodemos: “Se não acreditais quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna” (Jo 3, 12-15).
Jesus Cristo, continuando o seu diálogo com Nicodemos, dizia-lhe que todos aqueles que viessem a aderir a ele e acreditassem nas suas palavras, deveriam, logo a seguir, passar por uma transformação interior, realizada pelo Espírito Santo e pelo Batismo. Pois, na hora em que recebessem o sacramento do Batismo, pela ação do Espírito Santo, se realizaria nas pessoas algo semelhante a um novo nascimento! Estas palavras de Jesus, contudo, soaram aos ouvidos de Nicodemos como algo semelhante a um enigma misterioso e incompreensível! Porém, depois da ressurreição de Jesus, e com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, tudo se esclareceu. Pois, todos aqueles que se convertiam a Cristo eram imediatamente batizados no Espírito Santo, passando por este novo nascimento que “vem do alto”, assim como Jesus disse a Nicodemos: “Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer, e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 7-8).
Lucas, nos Atos dos Apóstolos, dava o seguinte testemunho: “Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos” (At 4, 33). Portanto, todos os milagres e prodígios realizados pelos apóstolos tinha um único objetivo: despertar a fé em Jesus Cristo! E assim, todos aqueles que se convertiam, professavam Jesus Cristo como Senhor e Deus Salvador! Assim como dizia o profeta: “Desde sempre, ó Senhor, vós existis! Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor” (Sl 92, 2; 5)!
Este modo de vida, inspirado pelo Espírito Santo e em conformidade com o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, foi descrito pelo evangelista Lucas, no Livro dos Atos dos Apóstolos, apresentando-o como modelo de vida comunitária e eclesial para todas as igrejas. A comunidade cristã de Jerusalém serviu como inspiração para todas as outras comunidades eclesiais que foram surgindo pelo mundo afora. “Pois, a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas vendiam-nas, levavam o dinheiro e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4, 32-35).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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