
Irmãos, de qualquer maneira, com segundas intenções ou com sinceridade, Cristo é anunciado. E eu me alegro com isso, e sempre me alegrarei. Pois eu sei que isso resultará na minha salvação graças à vossa oração e à assistência do Espírito de Jesus Cristo. Segundo a minha viva expectativa e a minha esperança, não terei de corar de vergonha. Se a minha firmeza continuar total, como sempre, então Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo – o que para mim seria de longe o melhor – mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. Por isso, sei com certeza que vou ficar e continuar com vós todos, para que possais progredir e alegrar-vos na fé. Assim, com a minha volta para junto de vós, vai aumentar ainda a razão de vos gloriardes em Cristo Jesus.
Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? 5Peregrino e feliz caminhando para a casa de Deus, entre gritos, louvor e alegria da multidão jubilosa.
Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que sou de coração humilde e manso!
Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje quer nos persuadir para que sigamos e pratiquemos os valores e as virtudes evangélicas que foram ensinadas por Cristo e pelos apóstolos, para que nos tornemos agradáveis a Deus, tornando-nos membros do Povo de Deus. A Liturgia da Palavra nos exorta, portanto, a abraçar Jesus Cristo com toda a fé e imitá-lo nas suas virtudes, para estar sempre em comunhão com Cristo na sua Igreja, e, assim, alcançar a salvação eterna!
Deste modo, caros irmãos, no Evangelho que acabamos de ouvir encontramos Jesus Cristo anunciando o seu Evangelho no meio de um banquete que um fariseu lhe ofereceu em sua casa. Diante deste fato, podemos perceber que para Jesus não existia lugar sagrado ou profano para anunciar a sua mensagem. Ele se servia das mais variadas circunstâncias e locais para dar o seu recado e anunciar o seu Evangelho. Depois de ter observado que os convidados tinham um comportamento inconveniente e presunçoso, ao escolherem para si os primeiros lugares, Jesus Cristo achou que seria o momento oportuno para dar-lhes uma mensagem a respeito da humildade. Então, sem faltar com o respeito e com a virtude da humildade, Jesus começou dizendo-lhes: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29)!
Prosseguindo, assim, no seu discurso, Jesus Cristo falou-lhes sobre a beleza e a nobreza da humildade. Pois, a virtude da humildade, que estava sendo espezinhada naquele momento pelos presunçosos, deveria ser exaltada como uma virtude tão apreciada por Deus quanto pelos homens. E Jesus Cristo, mostrando-se manso e humilde, apresentava-se a todos como modelo de humildade. Por isso, com muita delicadeza, sem agredir os presunçosos, Jesus contou-lhes a seguinte parábola: “Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar. Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados” (Lc 14, 8-10).
Por fim, Jesus concluiu a sua breve mensagem, dizendo: “Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14, 11). Ou seja, com estas palavras Jesus quis dizer que todos aqueles que fossem presunçosos e orgulhosos diante dos homens aqui neste mundo, seriam, na outra vida, humilhados e condenados a uma desonra eterna, pelo Senhor e Deus! E todos aqueles que fossem humildes aqui neste mundo, diante dos homens, seriam, certamente, salvos e seriam exaltados por Deus, na sua glória eterna!
São Paulo, do mesmo modo como Jesus, não se importava com os locais de pregação e nem com as intensões dos pregadores do Evangelho do Senhor. O que importava a Paulo era que Cristo fosse conhecido e as pessoas pudessem ter acesso à mensagem de salvação. E isto haveria de redundar em abundantes graças de salvação para si mesmo e para todos aqueles que acolhessem a Jesus Cristo, o Salvador! Por isso, ele dizia: “Irmãos, de qualquer maneira, com segundas intenções ou com sinceridade, Cristo é anunciado. E eu me alegro com isso, e sempre me alegrarei. Pois eu sei que isso resultará na minha salvação graças à vossa oração e à assistência do Espírito de Jesus Cristo” (Fl 1, 18-19). E, além disto, Paulo demonstrava que se sentia feliz e realizado em seu ministério apostólico, por ver os seus filhos na fé perseverantes no caminho de salvação e na Igreja do Senhor Jesus.
Embora Paulo almejasse intensamente partir para a vida eterna, ele também sentia que ainda poderia ser útil à comunidade eclesial de Filipos. Percebendo-se neste dilema, Paulo deu-lhes o seguinte testemunho: “Se a minha firmeza continuar total, como sempre, então Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. E o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher” (Fl 1, 20-22). E esta mesma ânsia de encontrar-se com Deus, para poder contemplá-lo eternamente em sua Casa, era também o desejo de Davi, quando ele fez a seguinte oração: “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus! Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus” (Sl 41, 2-3)?
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