

Irmãos, não foi por causa da Lei, mas por causa da justiça que vem da fé, que Deus prometeu o mundo como herança a Abraão ou à sua descendência. É em virtude da fé que alguém se torna herdeiro. Logo, a condição de herdeiro é uma graça, um dom gratuito, e a promessa de Deus continua valendo para toda a descendência de Abraão, tanto para a descendência que se apega à Lei, quanto para a que se apoia somente na fé de Abraão, que é o pai de todos nós. Pois está escrito: “Eu fiz de ti pai de muitos povos”. Ele é pai diante de Deus, porque creu em Deus que vivifica os mortos e faz existir o que antes não existia. Contra toda a humana esperança, ele firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: “Assim será a tua posteridade”.
Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra. Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac. Ele lembrou-se de seu santo juramento, que fizera a Abraão, seu servidor. Fez sair com grande júbilo o seu povo, e seus eleitos, entre gritos de alegria.
O Espírito Santo, a verdade, dará testemunho de mim; e vós sereis minhas testemunhas em todo lugar.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. Quando vos conduzirem diante das sinagogas, dos magistrados e das autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje quer despertar em nós a fé em Deus e no Senhor nosso Jesus Cristo, o Salvador. Além de despertar-nos à fé, ela quer também confirmar-nos na esperança de alcançarmos aquelas promessas que Deus havia feito a Abraão e, sobretudo, aquelas promessas que Jesus Cristo fez aos seus discípulos. São Paulo, na Carta aos Romanos, apresentou o nosso pai Abraão como o modelo do homem de fé e de esperança. Já Jesus Cristo, por sua vez, desafiou os seus discípulos a darem um corajoso testemunho de sua fé e de sua esperança; dando mais valor à vida eterna, lá no céu, do à vida terrena, aqui neste mundo.
Como disse São Paulo, na sua Carta aos Romanos: “Foi por causa da justiça que vem da fé, que Deus prometeu o mundo como herança a Abraão, ou à sua descendência. É em virtude da fé que alguém se torna herdeiro. Logo, a condição de herdeiro é uma graça, um dom gratuito, e a promessa de Deus continua valendo para toda a descendência de Abraão, tanto para a descendência que se apega à Lei, quanto para a que se apoia somente na fé de Abraão, que é o pai de todos nós. Pois está escrito: ‘Eu fiz de ti pai de muitos povos’. Ele é pai diante de Deus, porque creu em Deus que vivifica os mortos e faz existir o que antes não existia” (Rm 4, 15-17). Portanto, irmãos caríssimos, podemos concluir com estas palavras de Paulo, que a esperança de Abraão teve a sua origem na fé que ele teve em Deus! Uma vez acreditando em Deus, ele foi corajosamente em busca daquilo que lhe foi prometido da parte de Deus. Pois, somente depois que Abraão acreditou em Deus, que lhe foram dadas as promessas dos bens da esperança, que consistiam nas promessas divinas de receber em herança uma terra e um povo.
Por isso, nós todos, que somos os legítimos descendentes de Abraão segundo a sua fé, somos também os herdeiros da Aliança que ele fez com o Senhor, nosso Deus. E, sobretudo, somos herdeiros das promessas que ele recebeu de Deus; cujas promessas deveriam ser guardadas com firme confiança e esperança. Como dizia o Salmista: “Ó descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido; ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus. Vigoram as suas leis em toda a terra. Pois ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac” (Sl 104, 6-9).
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, exortou vivamente os seus discípulos a permanecerem firmes na fé em Cristo, professando-o como o Senhor e o Salvador; bem como, confiar firmemente na esperança de vida e de salvação eterna! Pois, somente aqueles que dessem um autêntico e corajoso testemunho de fé em Jesus Cristo, seriam recompensados com os bens da esperança, que consistiam na glória e na bem-aventurança da vida eterna, junto dele. Por isso Jesus disse aos seus discípulos: “Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus” (Lc 12, 8-9).
E para não ficar nenhuma dúvida sobre a absoluta seriedade de suas palavras, Jesus declarou que todos aqueles que prevaricassem e se acovardassem na hora de dar o seu testemunho de fé, blasfemando contra o Espírito Santo, estes incorreriam num grave castigo divino, de serem condenados à danação eterna; como disse o Senhor Jesus: “Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado (Lc 12, 10).
E por fim, para prevenir a nós todos diante de eventuais situações adversas que exigissem de nós um testemunho firme de nossas convicções religiosas, em favor de Cristo e de nossa esperança de salvação, Jesus nos exortou a suportarmos tais provações com firmeza e coragem, mesmo se fosse às custas de nossa própria vida. Ou seja, todas as vezes em que fôssemos, eventualmente, atacados e agredidos por pessoas poderosas que nos forçassem a abjurar de nossa fé que recebemos de Cristo, o nosso Salvador, deveríamos testemunhá-lo com toda coragem, derramando o próprio sangue por ele. Pois, o próprio Salvador foi à nossa frente dando-nos o seu testemunho; e, além disto, ele deu-nos todas as garantias que o Espírito Santo estaria ao nosso lado naquela hora. Por isso, Jesus proferiu as seguintes palavras: “Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer” (Lc 12, 8-12). Pois, “o Espírito Santo, a verdade, dará testemunho de mim; e vós sereis minhas testemunhas em todo lugar” (Jo 15, 26-27).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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