

Buscai o bem, não o mal, para terdes mais vida, só assim o Senhor Deus dos exércitos vos assistirá, como tendes afirmado. Odiai o mal, amai o bem, restabelecei a justiça no julgamento, talvez o Senhor Deus dos exércitos se compadeça do resto da tribo de José. “Aborreço, rejeito vossas festas, diz o Senhor, não me agradam vossas assembleias de culto. Se me oferecerdes holocaustos, não aceitarei vossas oblações e não farei caso de vossos gordos animais de sacrifício. Livra-me da balbúrdia dos teus cantos, não quero ouvir a toada de tuas liras. Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta, como torrente perene”.
“Escuta, ó meu povo, eu vou falar; ouve, Israel, eu testemunho contra ti: Eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus! Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos. Porque as feras da floresta me pertencem e os animais que estão nos montes aos milhares. Conheço os pássaros que voam pelos céus e os seres vivos que se movem pelos campos. Não te diria, se com fome eu estivesse, porque é meu o universo e todo ser. Porventura comerei carne de touros? Beberei, acaso, o sangue de carneiros? Como ousas repetir os meus preceitos trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas.
Naquele tempo, quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. Eles então gritaram: “O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até à cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos revela que o nosso Deus e Senhor Jesus Cristo abomina toda espécie de maldade e rejeita aqueles que são malvados. Os espíritos malignos são repelidos de sua presença com toda a força de seu poder divino. Os homens maus, por sua vez, são denunciados em suas atitudes perversas e iníquas, fazendo-lhes um convite de conversão e de mudança de vida. E quanto aos que são justos e bons, e aos que demonstrarem sincera conversão de vida, o Senhor os acolhe com alegria e os salva!
O Evangelho que acabamos de ouvir nos apresentou Jesus, munido de seus poderes divinos, enfrentando as forças do mal e os espíritos malignos. Por todos os lados onde Jesus ia pregar o Evangelho, acabava, irremediavelmente, se deparando com estes seres tenebrosos. Por isso, “quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos” (Mt 8, 28).
Por este motivo, antes de anunciar o Evangelho às pessoas daquela região, Jesus teve que enfrentar uma multidão de demônios, repelindo-os com toda força. Isto fez com que Jesus Cristo realizasse um dos exorcismos mais impressionantes! Como disse Mateus: “Aqueles homens endemoniados eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. Eles então gritaram: ‘O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?’ Os demônios suplicavam-lhe: ‘Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos.’ Jesus disse: ‘Ide.’ Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas” (Mt 8, 29-32).
Depois disto, Jesus e seus discípulos, indo mais adiante, entraram na cidade dos gadarenos, com a intensão de anunciar-lhes a Palavra de Deus. Porém, Jesus percebeu que a cidade inteira estava dominada e infestada por estes maus espíritos. Pois, as pessoas daquela cidade mesmo sabendo que Jesus havia realizado aquele prodígio, ao invés de acolhê-lo com alegria, preferiram permanecer em conluio com os maus espíritos, tornando-se, deste modo, inimigos de Jesus, hostilizando-o. “Pois, a cidade toda saiu ao encontro de Jesus; e, quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles” (Mt 8, 34). Vendo-se rejeitados, Jesus e seus discípulos humildemente se retiraram daquela região. Em todo caso, Jesus mesmo percebeu que contra tais demônios – que ocultamente instigavam as pessoas ao mal – ele nada podia fazer. Deixando, então, a região dos gadarenos, Jesus e seus discípulos voltaram a Cafarnaum.
Assim como Jesus Cristo enfrentava com coragem e determinação os maus espíritos, também o profeta Amós enfrentava com a mesma coragem e firmeza os malvados e prepotentes do povo de Israel. Assim, iluminado pela Palavra do Senhor e fortalecido com sua graça, Amós exortava os seus irmãos à conversão, dizendo-lhes: “Buscai o bem, não o mal, para terdes mais vida, só assim o Senhor Deus dos exércitos vos assistirá, como tendes afirmado. Odiai o mal, amai o bem, restabelecei a justiça no julgamento, talvez o Senhor Deus dos exércitos se compadeça do resto da tribo de José. Que a justiça seja abundante como água e a vida honesta, como torrente perene” (Am 5, 14-15; 24).
E Davi, inspirado pelo Espírito Santo, também exortava os seus irmãos a voltarem-se ao Senhor Deus e a servi-lo de todo o coração, abandonando todo tipo de hipocrisia e iniquidade, dizendo: “Escuta, ó meu povo, eu vou falar; ouve, Israel, eu testemunho contra ti: Como ousas repetir os meus preceitos trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus” (Sl 49, 1; 16-17; 23). Pois, o Senhor que nos criou pelo poder de sua Palavra, ele nos fez para que o servíssemos na verdade e na santidade, como nos disse o apóstolo Tiago: “Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas” (Tiago: Tg 1, 18).
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