

Depois que Adão comeu do fruto da árvore, o Senhor Deus o chamou, dizendo: “Onde estás?” E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi”. Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes.
O Senhor ama a cidade que fundou no Monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. Dizem coisas gloriosas da Cidade do Senhor. De Sião, porém, se diz: “Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança”. Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: “Foi ali que estes nasceram”. Por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: “Estão em ti as nossas fontes!”.
Depois que Jesus subiu ao céu, os apóstolos voltaram para Jerusalém, vindo do monte das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, a mais ou menos um quilômetro. Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas, filho de Tiago. Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.
Ó feliz Virgem, que geraste o Senhor; ó santa Mãe da Igreja, que nos alimenta com o Espírito do teu Filho, Jesus Cristo.
Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.
Caríssimos irmãos, filhos da Virgem Maria, a Mãe da Igreja! A Liturgia da Palavra de hoje celebra a festa da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja! Depois de termos celebrado a solene festa de Pentecostes com o derramamento do Espírito Santo sobre a Igreja, queremos, agora, voltar nossos olhos para Maria, a Mãe da Igreja. Pois Maria, aquela que foi a mãe de Jesus e que trazia em seu coração a graça do Espírito Santo, tornou-se a Mãe da Igreja, por ter reunido em torno de si todos os discípulos do Senhor, naquele glorioso dia de Pentecostes! Assim como Eva tornou-se a mãe de todos os homens, sob o regime do pecado, Maria tornou-se nossa mãe, sob o regime da graça e da santidade que vem do Espírito Santo! Por isso, nesta celebração eucarística, queremos saudar Maria Santíssima com o título de Mãe da Igreja.
Nesta Liturgia da Palavra fomos levados a reconhecer que lá na origem da humanidade, depois que Adão e Eva tinham acabado de cometer o pecado, ambos procuraram se esconder de Deus por estarem profundamente envergonhados e desapontados consigo mesmos, pelo mal que haviam cometido. Deus, então, os castigou! Contudo, deu-lhes uma chance de reconciliação e salvação se Adão e Eva, junto com todos os seus filhos, combatessem com toda coragem o mal e o maligno. Por isso Deus lhes disse: “‘Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar’. E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes” (Gn 3, 15; 20).
Neste caso, Maria, a Bem-aventurada, restaurou a maternidade de Eva, tornando-se Mãe de Deus, ao ter dado à luz Jesus Cristo, o Filho de Deus! Maria, então, tornando-se mãe de Jesus Cristo, o Salvador e Redentor de todos os homens, tornou-se, assim, a mãe de todos os filhos de Eva que foram redimidos, santificados e salvos por Jesus Cristo, na graça e no poder do Espírito Santo! Todas as pessoas restauradas pelo sangue de Cristo e purificadas pelo Espírito Santo foram congregadas por Deus num só Corpo Místico, numa só Igreja, que tinha a Deus por Pai e a Bem-aventurada Virgem Maria por Mãe! Por isso, podemos aclamá-la, dizendo: “Ó feliz Virgem, que geraste o Senhor; ó santa Mãe da Igreja, que nos alimenta com o Espírito do teu Filho, Jesus Cristo” (Acl. ao Ev.).
Deste modo, Maria se tornaria naquela verdadeira imagem da Igreja, que teria recebido de seu filho Jesus Cristo a missão de amparar todos os filhos da Igreja, sob o manto de sua maternidade! Pois, segundo a vontade de Cristo, manifestada a João no alto da Cruz, Maria deveria ser reconhecida como a Mãe da Igreja, ao ser declarada como a mãe de João e de todos os discípulos de Cristo; conforme as palavras do Senhor, no alto da cruz: “Eis que, Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo” (Jo 19, 26-27).
E depois de ter acompanhado Jesus Cristo no patíbulo da cruz, Maria esteve igualmente ao lado de seu divino filho, testemunhando a sua gloriosa ressurreição e a sua ascensão aos céus! Junto com os apóstolos, Maria Santíssima congregava em torno de si todos os discípulos de Cristo, em piedosa expectativa e oração, aguardando a vinda do Espírito Santo; conforme as palavras de Lucas, que dizia: “Os apóstolos entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas, filho de Tiago. Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus” (At 1, 13-14). Maria, a mãe de Jesus, se tornou, assim, um elo de união de todos os membros da Igreja nascente, congregando em torno de si todos os discípulos do Senhor, despertando em todos eles um espírito de piedade e de oração.
Maria se tornou, assim, a fiel discípula do Senhor, com um coração sempre voltado para as coisas do alto, onde estava o seu filho Jesus, sentado a Direita de Deus Pai, na glória do Reino Celeste! Maria se tornou, por disposição divina, a figura da Igreja, a Cidade de Deus! Por isso, ela era a imagem daquela Jerusalém do alto que é nossa mãe, e da qual todos os renascidos pelo batismo se tornariam filhos de Maria; como profetizou o Espírito Santo, dizendo: “Pois, dizem coisas gloriosas da cidade do Senhor. De Sião, porém, se diz: ‘Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança’. Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: ‘Foi ali que estes nasceram’. E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: ‘Estão em ti as nossas fontes’ “(Sl 86, 1-3)! Deste modo, tornando-se figura e imagem da Jerusalém celeste, Maria tornou-se igualmente figura e imagem da Igreja de Cristo neste mundo.
Por isso, caros irmãos, saudamos a nossa mãe Maria Santíssima carinhosamente, dizendo-lhe: “ Ó Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja! Vós sois, ó feliz Virgem, que geraste o Senhor! Ó santa Mãe da Igreja, que nos alimentais com o Espírito de vosso Filho, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (Acl. ao Ev.).
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