

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’ ” E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer.Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis.’ ” A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus conhecendo o bem e o mal”. A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.
Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa! Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!
Irmãos: Consideremos o seguinte: O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. Na realidade, antes de ser dada a Lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, – o qual era a figura provisória daquele que devia vir -. Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem mais superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Também, o dom é muito mais eficaz do que o pecado de um só. Pois a partir de um só pecado o julgamento resultou em condenação, mas o dom da graça frutifica em justificação, a partir de inúmeras faltas. Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.
O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus.
Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”. Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'”. Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!'” Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto'”. Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo! A Liturgia da Palavra deste 1º Domingo da Quaresma, nos aponta para os motivos principais deste tempo litúrgico e para o espírito cristão da Quaresma, que o próprio Jesus instituiu. Pois, o tempo litúrgico da quaresma quer ser um retorno aos primeiros momentos da vida pública de Jesus, quando ele se retirou ao deserto para meditar sobre os efeitos nefastos do pecado e para combater o Maligno. Queremos ainda, neste tempo da quaresma, ouvir, de novo, aquele ardente apelo de Cristo: “Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4, 17).
Jesus Cristo, nosso Senhor, instituiu a Quaresma como tempo litúrgico para a sua Igreja, no momento em que ele se retirou para o deserto, e ali ficou por quarenta dias em penitência. Ele foi à nossa frente neste caminho penitencial. Assim, naquele local retirado do deserto, e naquele tempo de quarenta dias Jesus viveu a sua Quaresma. Assim como fez Jesus Cristo, nós hoje, em nossa Quaresma, somos levados a confrontar-nos com o pecado e com o Maligno. Acompanhando Jesus neste deserto, somos levados a olhar para dentro de nós mesmos, e humildemente, arrependidos de nossos pecados, dizer-lhe: “Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa! Criai em mim um coração que seja puro. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai-me de novo a alegria de ser salvo” (Sl 50, 3-4; 12-14).
Jesus, naquele local isolado e de silêncio do deserto, longe das distrações mundanas, pode mais facilmente olhar para as realidades espirituais. Desta forma, ele pode dedicar-se à meditação e preparar-se para sua vida pública de evangelização. Ali no deserto, antes de confrontar-se como o Maligno, Jesus pôs-se a refletir sobre os efeitos devastadores do pecado sobre a humanidade e sobre o mistério da iniquidade que se instalara no mundo. Podia, assim, preparar-se bem para a sua principal missão neste mundo, de dar o perdão aos pecadores, justificando todos os homens que humildemente se arrependessem de seus pecados. Como dizia Paulo, em suas revelações sobre este assunto: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado de Adão, a morte entrou no mundo. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem mais superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos” (Rm 5, 12; 15).
Ali, ao relento, despojado de todo conforto humano, Jesus sentiu em seu ser todas as angústias, os sofrimentos, as aflições e agonias causadas por um ambiente tão áspero e selvagem. Assim, desta forma, Jesus aproveitou-se destas adversidades para fazer do deserto a sua arena de luta contra o diabo, contra as más inclinações da carne e as cobiças do mundo. Antes de enfrentar os homens iníquos, ele quis enfrentar o espírito Maligno, o iníquo por excelência, o Príncipe de todo mal, o Diabo, o inimigo de Deus e de toda a humanidade! Pois ele era a fonte de todas as tentações dos homens neste mundo! Enfrentando o Maligno ele estava enfrentando aquele que levou Adão e Eva a pecar, como descreveu o autor sagrado no Livro do Gênesis (Cfr. Gn 2,7-9; 3,1-7). E como disse Paulo, na Carta aos Romanos: “Pois, o pecado entrou no mundo por um só homem, Adão. E através do pecado, entrou a morte. E assim, a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5, 18).
Ali, no deserto, longe dos olhos dos homens, neste tempo de sua quaresma, Jesus Cristo fez por nós tudo aquilo que somente ele podia fazer. Assim, cumprindo a sua missão, antes de se dirigir aos homens, “o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: ‘Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães’! Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'” (Mt 4, 1-4).
Deste modo, caros irmãos, Jesus Cristo, lá no deserto, nos ensinou como deveríamos combater e rejeitar o Diabo nas suas tentações pecaminosas e como deveríamos buscar a graça divina que nos justificaria: rompendo com as nossas más inclinações herdadas de Adão, para abraçarmos a Cristo, que nos justifica e salva. Como disse Paulo: “Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça” (Rm 5, 17).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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