

Assim fala o Senhor: e saciará tua sede na aridez da vida, e renovará o vigor do teu corpo; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas que jamais secarão. Teu povo reconstruirá as ruínas antigas; tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar. Se não puseres o pé fora de casa no sábado, nem tratares de negócios em meu dia santo, se considerares o sábado teu dia favorito, o dia glorioso, consagrado ao Senhor, se o honrares, pondo de lado atividades, negócios e conversações, então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai”. Falou a boca do Senhor.
Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! Protegei-me, que sou vosso amigo, e salvai vosso servo, meu Deus, que espera e confia em vós! Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! Animai e alegrai vosso servo, pois a vós eu elevo a minh’alma. Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração! Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei.
Glória a vós, Senhor Jesus, Primogênito dentre os mortos! Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, mas que ele volte, se converta e tenha vida.
Naquele tempo, Jesus viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhe disse: “Segue-me.”Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu. Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí grande número de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. Os fariseus e seus mestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: “Por que vós comeis e bebeis com os cobradores de impostos e com os pecadores?” Jesus respondeu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.
Caríssimos irmãos! A Liturgia da Palavra de hoje faz uma reflexão em torno daquela frase que Jesus disse, em resposta aos fariseus: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão” (Mt 5, 32).
Seriam três questões a serem consideradas a respeito destas palavras proferidas por Jesus: 1º. Ao dizer que ele não veio chamar e procurar os justos, mas os pecadores, ele quis dizer algo inteiramente óbvio, ou seja, que a sua vinda a este mundo – na condição de médico das almas – era totalmente desnecessária vir a este mundo para curar os que já estavam saudáveis! Bem como, ele não precisava ter vindo a este mundo – encarnando-se e assumido a condição humana – para justificar e salvar aqueles que já eram verdadeiramente justos. Ou seja, se em Adão o homem não tivesse pecado, Jesus não teria vindo a este mundo para restaurar e salvar a humanidade. Deste modo, obviamente, ele não teria vindo a este mundo para salvar os justos que já estavam no caminho de salvação, visto que a sua condição de justo já lhes conferia a graça da salvação!
Portanto, a sua vinda a este mundo seria desnecessária para curar os saudáveis; para justificar os justos; e para salvar aqueles que estavam tendo uma conduta de vida irrepreensível, para restabelecer a justiça e levar os homens ao caminho de salvação! Por isso, “Jesus respondeu: ‘Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão’” (Lc 5, 31-32).
2º. Jesus Cristo veio a este mundo, como médico divino para curar os doentes da alma; para justificar os pecadores arrependidos; e para salvar aqueles que estavam perdidos nas sombras da morte… Com estas poucas palavras Jesus Cristo revelou-nos os motivos do Mistério da Encarnação do Verbo Divino e os Mistérios da Redenção e da Salvação! Como disse Isaías a respeito Jesus Cristo, o Messias que devia vir a este mundo: “Tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar” (Is 58, 12).
Desta forma, todo pecador que estivesse disposto a se converter e se regenerar obteria de Cristo – o Cordeiro Imolado – a cura de sua alma, a justificação e a purificação de seus pecados. E, uma vez redimido de seus pecados, ele receberia a graça da salvação, para viver eternamente junto de Deus, na sua glória e bem-aventurança! Como disse o profeta: “Então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai. Falou a boca do Senhor” (Is 58, 14). Portanto, Jesus veio até nós para nos redimir de nossos pecados e para nos salvar para a vida eterna, junto de Deus.
3º. Ele, Jesus Cristo, respondeu aos fariseus – que se arrogavam a condição de justos – com um certo toque de ironia, dizendo-lhes mais ou menos da seguinte forma: De fato, a vocês que se presumem justos e saudáveis, não tenho nada a fazer. Pois não posso curá-los, visto que vocês se consideram saudáveis; e nem posso justificá-los e purificá-los dos vossos pecados, pois vocês não reconhecem os próprios pecados, e nem querem se converter desta vida de pecados. Portanto, também não tenho como salvá-los, pois vocês não estão dispostos a se fazerem-se meus discípulos e aderirem à minha palavra de salvação! Portanto, em relação a estes “justos hipócritas” Jesus Cristo não tinha muito o que fazer, e nem teria motivo de ter vindo a este mundo por causa deste tipo de gente!
Portanto, todos aqueles que se convertessem sinceramente ao Senhor, deveriam invocar humildemente o perdão de seus pecados. E assim, e somente assim, seriam justificado, como disse o Salmista em sua oração: “Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido, escutai, pois sou pobre e infeliz! Protegei-me, e salvai vosso servo, meu Deus, que espera e confia em vós! Piedade de mim, ó Senhor. Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração” (Sl 85, 1-3; 5-6)! Pois, Jesus anunciava um evangelho de conversão semelhantes às palavras de Ezequiel, que dizia: “Deus não quer a morte do pecador, mas que ele volte, se converta e tenha vida” (Ez 33, 11).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
WhatsApp us