

O Senhor falou a Moisés, dizendo: “Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: ‘Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. Não procures vingança, nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.'”
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores! Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas. quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes. Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem.
Irmãos: Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário. Ninguém se iluda: Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: “Aquele que apanha os sábios em sua própria astúcia”, e ainda: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos”. Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.
É perfeito o amor de Deus em quem guarda sua palavra.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado. Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.”
Caríssimos discípulos e discípulas! A Liturgia da Palavra deste Domingo nos apresenta, em todas as leituras, palavras desafiadoras e provocantes, para imitarmos a Cristo e buscarmos a perfeição de vida na santidade e na caridade. Inspiradas pela sabedoria divina, as leituras da Liturgia de hoje nos chamam a viver na santidade; e nos desafiam a buscar com coragem uma perfeição de vida, semelhante a de Cristo. Todas as leituras que ouvimos nos propõe o seguinte: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”.(Lv 19, 2)! Ou ainda: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48).
Já no Antigo Testamento, no Livro dos Levíticos, o Senhor dava aos filhos de Israel a seguinte recomendação, que os fazia alcançar a perfeição de vida na santidade, dizendo-lhes “‘Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. Não procures vingança, nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” (Lv 19, 2; 17-18).
O Senhor Jesus Cristo, ao anunciar o seu Evangelho, disse que a perfeição de vida seria possível de ser alcançada quando a nossa conduta de vida e as nossas atitudes fossem pautadas no amor e na santidade. Entretanto, o próprio Jesus disse que o amor apresentava certos graus de perfeição. Por isso, o amor mais comum, praticado por todos os homens, é o amor fraterno, que acontece no convívio familiar e na comunidade eclesial. Ele era, na verdade, muito apreciado por nosso Senhor Jesus Cristo e pela Lei de Moisés, que dizia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18)! Contudo, este amor fraterno vem normalmente acompanhado de muitas imperfeições. Embora Jesus desse grande importância a este amor mútuo e fraterno, porém, ele dizia que não estaria ali, propriamente, a perfeição do amor, pois os maus e os pagãos também o praticavam, como Jesus dizia: “Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa” (Mt 5, 46-47)?
O amor ao próximo, entretanto, alcançaria o grau mais elevado de perfeição, quando o fiel discípulo de Jesus, vivendo na justiça e santidade, amasse as pessoas que estivessem ao seu lado, mesmo sendo malvadas e que fossem seus inimigos! Por isso, Jesus começou este seu discurso sobre o amor aos malvados e inimigos, dizendo: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado” (Mt 5, 38-39)! E, se o discípulo quisesse ser perfeito, então ele deveria seguir a seguinte orientação de Jesus: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 44-48).
Deste modo, caros irmãos, podemos entender que o amor perfeito não se move, propriamente, por meio de sentimentos, mas pela vontade firme de fazer a vontade de Deus. Pois é praticando a Palavra que nos ordena a amar o próximo em toda e qualquer circunstância, que se alcança a perfeição do amor, sobretudo se o próximo for malvado ou inimigo. Aí, então, “é perfeito o amor de Deus em quem guarda sua palavra” (1Jo 2, 5).
São Paulo, na Carta aos Corintos, chamava a atenção dos cristãos para que eles evitassem todo tipo de pecado grave, mantendo-se na santidade, para resguardar o seu corpo como um santuário do Espírito Santo, dizendo-lhes: “Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário” (1Cor 3, 16-17). Pois, se este santuário viesse a ser corrompido pelo pecado grave, de nada lhe serviriam as obras perfeitas do amor. E, assim, todo aquele que não estivesse na santidade, não haveria de se salvar; e, consequentemente, aquele que não viesse a se salvar, também não seria, obviamente, recompensado por Deus na vida eterna, pelas obras meritórias e perfeitas que eventualmente tenha realizado.
Desta forma, caros irmãos, sendo imitadores de Cristo, nós seremos elevados pelo próprio Deus a alcançarmos as alturas da perfeição e da santidade, como disse o Salmista: “Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão. O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem” (Sl 102, 3-4; 8; 13).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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