

Amai a justiça, vós que governais a terra; tende bons sentimentos para com o Senhor e procurai-o com simplicidade de coração. Ele se deixa encontrar pelos que não exigem provas, e se manifesta aos que nele confiam. Pois os pensamentos perversos afastam de Deus; e seu poder, posto à prova, confunde os insensatos. A Sabedoria não entra numa alma que trama o mal nem mora num corpo sujeito ao pecado. O espírito santo, que a ensina, foge da astúcia,
afasta-se dos pensamentos insensatos e retrai-se quando sobrevém a injustiça. Com efeito, a Sabedoria é o espírito que ama os homens, mas não deixa sem castigo quem blasfema com seus próprios lábios, pois Deus é testemunha dos seus pensamentos, investiga seu coração segundo a verdade e mantém-se à escuta da sua língua; porque o espírito do Senhor enche toda a terra, mantém unidas todas as coisas e tem conhecimento de tudo o que se diz.
Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos. A palavra nem chegou à minha língua, e já, Senhor, a conheceis inteiramente. Por detrás e pela frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. Esta Verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la. Em que lugar me ocultarei de vosso espírito? E para onde fugirei de vossa face? Se eu subir até os céus, ali estais; se eu descer até o abismo, estais presente. Se a aurora me emprestar as suas asas, para eu voar e habitar no fim dos mares; mesmo lá vai me guiar a vossa mão e segurar-me com firmeza a vossa destra.
Como astros no mundo brilheis, pregando a Palavra da vida!
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos. Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”. Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra que acabamos de ouvir, nos revelou as verdades mais sublimes e elevadas da doutrina sobre Deus. As três leituras nos revelaram que Deus é constituído de um espírito divino e de uma inteligência extremamente prodigiosa, com uma capacidade intelectual de compreender todas as coisas, desde as mais insignificantes e ocultas, até às mais elevadas e sublimes. Ele possui uma Sabedoria onisciente que tudo vê, tudo pondera e tudo julga, até os nossos pensamentos mais ocultos.
Como dizia o sábio Salomão, no seu livro da Sabedoria: “A Sabedoria é o espírito que ama os homens, mas não deixa sem castigo quem blasfema com seus próprios lábios, pois Deus é testemunha dos seus pensamentos, investiga seu coração segundo a verdade e mantém-se à escuta da sua língua; porque o espírito do Senhor enche toda a terra, mantém unidas todas as coisas e tem conhecimento de tudo o que se diz” (Sb 1, 6-7).
Este nosso Deus é de tal modo estupendo e grandioso, que nós ficamos quase sem palavras para descreve-lo, quando nos colocamos a refletir sobre a sua potência, a sua sabedoria e as suas capacidades de conhecer tudo, de julgar tudo com a máxima justiça e bondade. Talvez ninguém conseguiu descrever o Espírito Divino com tamanha precisão, quanto o fez o profeta Davi, quando disse: “Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos. Por detrás e pela frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. E para onde fugirei de vossa face? Se eu subir até os céus, ali estais; se eu descer até o abismo, estais presente. Se a aurora me emprestar as suas asas, para eu voar e habitar no fim dos mares; mesmo lá vai me guiar a vossa mão e segurar-me com firmeza a vossa destra” (Sl 138, 1-4; 8-10). E enquanto ele ia expondo esta meditação, ele mesmo se admirava com tudo isto, dizendo: “Esta Verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la” (Sl 138, 6)!
Jesus Cristo, o Verbo Divino, que é a Sabedoria que veio de Deus – ocultando-a em sua humanidade -, demonstrou uma capacidade prodigiosa de discernir e de julgar os corações humanos, com plena ciência, justiça e misericórdia, dizendo: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos. Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo” (Lc 17, 1-4).
Depois que os discípulos ouviram tais ponderações ditas pelo Senhor Jesus, todos ficaram abismados e espantados com o que ele dizia. Pois, tudo o que Jesus acabara de dizer parecia estar tão acima de suas capacidades, que eles não tinham condições de as aplicar em suas vidas. Por isso, humildemente, pedindo o socorro da graça divina, “os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta a nossa fé!’ O Senhor, então, respondeu: ‘Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria’” (Lc 17, 5-6). Em outras palavras, Jesus quis dar a entender que estas coisas que ele acabara de dizer não eram tão extraordinárias e difíceis, pois bastaria um pouco de fé e confiança em Deus para enfrentar com coragem e determinação o mal e o pecado, servindo-se de atitudes de mansidão e de misericórdia.
E assim, todos aqueles que anunciassem aos outros estas palavras, revelando as maravilhas e a grandeza da onipotência e da sabedoria divina, “brilharão como astros no céu, por pregarem a Palavra da vida” (Fl 2, 15d.16a).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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