

Irmãos, uso uma linguagem humana, por causa da vossa limitação. Outrora, oferecestes vossos membros como escravos para servirem à impureza e à sempre crescente desordem moral. Pois bem, agora, colocai vossos membros ao serviço da justiça, em vista da vossa santificação. Quando éreis escravos do pecado, estáveis livres em relação à justiça. Que fruto colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Pois o fim daquelas ações era a morte. Agora, porém, libertados do pecado, e como escravos de Deus, frutificais para a santidade até à vida eterna, que é a meta final. Com efeito, a paga do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.
É feliz quem a Deus se confia! Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele!
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.
Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo nosso Salvador! A Palavra de Deus que nos foi dada na liturgia de hoje pretende desmascarar as tramas malignas dos iníquos e dos pecadores, afim de revelar-nos o mistério da iniquidade que existe neste mundo. Os pecadores, os iníquos, os hipócritas e os injustos vivem em paz entre si, suportando-se mutuamente, mantendo uma boa convivência entre si, que é imposta pela força dos mais fortes e dos prepotentes. Porém, Jesus Cristo veio a este mundo para trazer a esperança de uma vida nova e de salvação, pautada pela humildade e pela mansidão, libertando as pessoas da escravidão do pecado e da opressão dos iníquos e prepotentes.
Entretanto, caros irmãos, toda sociedade humana construída por princípios iníquos entra em colapso, quando o justo se mete no meio deste agrupamento humano. O homem justo provoca desajustes, divisões e hostilidades dos injustos e malvados! O homem sincero e veraz acaba, fatalmente, desmascarando os hipócritas e mentirosos! O homem espiritual e santo é odiado pelos malvados e perversos, que vivem segundo os impulsos da carne! Como dizia o profeta: “Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar” (Sl 1, 1-2).
Assim sendo, o homem bom e justo trata os irmãos com quem ele convive com gestos pacíficos de mansidão, de humildade e de sincera caridade, tantos em relação aos bons quanto aos maus. O justo e o fiel discípulo do Senhor deveria ter sempre Jesus Cristo como o seu modelo de vida a seguir. Pois, o Senhor Jesus foi vítima de ofensas e de violências praticadas pelos malvados e prepotentes; porém, tratou a todos com paciência e bondade, suportando-os sem revidar o mal com o mal. No Evangelho que ouvimos, Jesus declarou que ele estava pronto e ansioso para enfrentar este mundo tão cheio de contradições, repleto de inimigos e de perigosos opositores, dizendo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra” (Lc 12, 49-50)!
Ao se colocar em meio aos homens, Jesus sabia perfeitamente que ele iria criar divisões e discórdias entre eles, atraindo sobre si a hostilidade e a agressividade dos malvados. Entretanto ele acreditava que não ficaria sozinho, pois haveria de converter alguns pecadores em favor de sua causa, transformando-os em justos e santos. Estes seriam, no mundo, como ovelhas entre lobos, tornando-se vitimas pacificas das agressões dos malvados; inclusive dentro do ambiente doméstico de suas famílias. E Jesus disse, ainda, que ele iria à frente deles, como aquele “Cordeiro Manso e Humilde”, sacrificado pelos pecadores no seu Batismo da Cruz. Por isso, Jesus declarou: “Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três” (Lc 12, 51-53).
Assim sendo, o profeta Davi convocava os justos a se aproximarem dele e os exortava a se afastarem do convívio com os malvados, e aproximarem-se de Deus, procurando seguir os caminhos do Senhor, dizendo-lhes: “É feliz quem a Deus se confia! Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; e que não entra no caminho dos malvados. Mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar” (Sl 1, 1-2).
Ou ainda, conforme os conselhos que São Paulo deu aos cristãos de Roma, que foram justificados e santificados por Cristo. Ele os aconselhava a abandonarem aquela antiga vida de pecados e perversidades, para abraçarem a Cristo e, assim, conquistarem o prémio a vida eterna. Paulo exortava os cristãos de Roma a romperem com o pecado e se livrarem desta escravidão vergonhosa e indigna. Por isso, os exortava, dizendo: “Outrora, oferecestes vossos membros como escravos para servirem à impureza e à sempre crescente desordem moral. Que fruto colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Pois o fim daquelas ações era a morte. Agora, porém, libertados do pecado, e como escravos de Deus, frutificais para a santidade até à vida eterna, que é a meta final. Com efeito, a paga do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 6, 20-23). E, para estar em comunhão com Cristo e obter a sua salvação, Paulo apresentou-lhes o seu próprio exemplo, dizendo: “Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele” (Fl 3, 8-9)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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