

“Vossas palavras são duras contra mim, diz o Senhor, e ainda perguntais: ‘Que dissemos contra ti?` Vós estais dizendo: ‘É coisa inútil servir a Deus; que vantagem tivemos em observar seus preceitos e em levar uma vida severa na presença do Senhor dos exércitos? Portanto, hoje os felizardos são os soberbos, pois consolidaram-se, praticando o mal, e, mesmo provocando a Deus, estão impunes'”. Vieram, entretanto, a falar uns com os outros, os tementes a Deus. O Senhor prestou atenção e ouviu-os; em sua presença foi escrito um livro de feitos notáveis, aberto aos que temem o Senhor e têm seu nome no pensamento. “Serão para mim o tesouro, diz o Senhor dos exércitos, para o dia que eu me reservar; hei de favorecê-los, como o pai ao filho que o serve. De novo vereis a distância que há entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve. Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.
É feliz quem a Deus se confia! Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar, mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos exorta com toda sabedoria e discernimento a pedirmos a Deus, com toda a confiança, as graças de sermos justificados de nossos pecados e de vivermos na justiça e na santidade. Então, se assim vivermos, seremos, já aqui neste mundo, felizes em nosso espírito, mesmo passando por provações e sofrimentos! E, além disto, nos foi prometido que receberíamos na vida futura a recompensa da bem-aventurança e de uma glória eterna, junto de Deus! Já em relação aos maus e aos perversos aconteceria, tragicamente, o contrário! Pois estes sofreriam uma terrível condenação eterna!
Jesus Cristo, no Evangelho que ouvimos, exortava a todos os seus ouvintes a elevarem a Deus preces e súplicas, implorando o auxílio divino em todas as suas carências e necessidade, quer sejam espirituais ou materiais. Jesus, em seu Evangelho, garantia que Deus gostava de ser rogado, pois ele via com bons olhos todo homem que implorasse humildemente a Deus em suas necessidades! Inclusive, Jesus dizia que não deveríamos esmorecer em nossas orações, e que fôssemos insistentes em nossas preces. Pois, Jesus deu a entender que o Senhor gosta de ser implorado de forma insistente, com todo respeito, humildade e piedade! Por isso, Jesus disse aos seus discípulos: “pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá” (Lc 11, 9-10).
Por outro lado, o homem ímpio e soberbo, que não teme ao Senhor, em geral não pede nada Deus, porque ele se sente autossuficiente em suas próprias forças e em suas posses. E, além disto, este tipo de gente não costuma pedir a Deus bens espirituais, visto que tais coisas não lhe interessam! Entretanto, embora tenham tudo, tais pessoas normalmente são muito infelizes e estão sempre insatisfeitas! “Pois, estes são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte” (Sl 1, 5-6).
Contudo, caros irmãos, o homem justo e humilde, cheio de fé e piedade, deve elevar a Deus o seu coração, e implora a ele para auxiliá-lo em suas necessidades, quer sejam espirituais ou corporais! Pois, é certo que se o justo for carente de bens materiais, o Senhor não o abandonará em sua indigência, dando-lhe o necessário e derramando com abundância os seus bens espirituais. E ainda, se o justo for rico de bens materiais, o Senhor haverá de lhe dar todos os bens espirituais necessários, para que ele persevere no caminho de salvação e saiba ser generoso e prestativo com o pobre que suplica! Por isso, Jesus disse: “Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem” (Lc 11, 11-13)!
E, sobretudo, caros irmãos, “é feliz quem a Deus se confia” (Sl 39, 5)! “Pois o homem justo e humilde encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar” (Sl 1, 2-3). Portanto, o Senhor dará ao justo as luzes do seu Evangelho e aquele bem mais precioso que ele tem, que é o Espírito Santo (Cfr. At 16, 14; Lc 11, 13)!
Por fim, caros irmãos, O profeta Malaquias dizia que os justos não tinham nenhum motivo de invejar os malvados e os prepotentes; e nem deveriam deixar-se levar pelos maus pensamentos de achar que Deus os tivesse abandonado e permitido que os maus prevalecessem sobre eles! Pois, o destino de cada um já estava traçado, conforme disse o Senhor, pelas palavras do profeta Malaquias: “O Senhor prestou atenção e ouviu os lamentos dos justos; em sua presença foi escrito um livro de feitos notáveis, aberto aos que temem o Senhor e têm seu nome no seu pensamento. ‘Serão para mim o tesouro, diz o Senhor dos exércitos, para o dia que eu me reservar; hei de favorecê-los, como o pai ao filho que o serve. De novo vereis a distância que há entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o serve. Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas'” (Ml 3, 16-20).
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