

Isto diz o Senhor dos exércitos: “Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes, dizendo os habitantes de uma para os de outra cidade: ‘Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’. Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor”. Isto diz o Senhor dos exércitos: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá, dizendo: ‘Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco'”.
O Senhor ama a cidade que fundou no Monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. 3Dizem coisas gloriosas da Cidade do Senhor. Lembro o Egito e Babilônia entre os meus veneradores. Na Filisteia ou em Tiro ou no país da Etiópia este ou aquele ali nasceu. De Sião, porém, se diz: “Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança”. Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: “Foi ali que estes nasceram”. E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: “Estão em ti as nossas fontes!”
Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos.
Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para preparar hospedagem para Jesus. Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. E partiram para outro povoado.
Caríssimos irmãos e irmãs e Cristo nosso Senhor! A Liturgia da Palavra de hoje nos mostra que Deus tinha uma especial predileção pela cidade de Jerusalém, por ser a cidade de Davi e do Messias Jesus Cristo! Nela se encontrava o trono de Davi e o Templo do Deus vivo! Os profetas de Israel anunciavam que as nações do mundo inteiro deveriam se voltar a Jerusalém, indo até ela em peregrinação, para adorar o Senhor Deus do céu e da terra, que se encontrava no Templo de Jerusalém. Foi para lá também que Jesus, o Messias e filho de Davi, se dirigiu; para passar ali passar os seus últimos dias! Ali, na cidade de Jerusalém, Jesus devia realizar o seu sacrifício redentor e os mistérios de sua Páscoa! Como disse o Evangelista Lucas: “Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9, 51).
Todos os profetas que surgiram depois do Exílio da Babilônia ensinavam que o Deus de Israel, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, o Deus que aparecera-lhes no deserto e que fizera uma aliança com o povo de Israel, era o Deus único e verdadeiro, o Senhor do universo e de toda a humanidade. Assim, os próprios judeus que foram exilados e se dispersaram entre os povos pagãos em várias partes do mundo tornaram-se os missionários desta sua fé neste Deus que eles serviam e adoravam. Tornaram-se espontaneamente testemunhas da sua fé no meio dos gentios onde eles moravam. Isto fez com que, pouco a pouco, muitos gentios prosélitos se convertessem e acreditassem neste Deus e se sentissem atraídos em adorar este Deus, e servi-lo do mesmo modo como faziam os judeus, indo em peregrinação a Jerusalém.
Como dizia o profeta Zacarias: “Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes, dizendo os habitantes de uma para os de outra cidade: ‘Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’. Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor”. Isto diz o Senhor dos exércitos: ‘Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá, dizendo: Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco'” (Zc 8, 20-23).
Deste modo, caros irmãos, este novo judaísmo – que tinha a cidade Jerusalém e o seu Templo como centro de referência de sua fé -, acreditava que ali, no “Monte Sião” , se encontrava a “Casa de Deus”, o Templo do Deus vivo! E além disto, acreditavam que Jerusalém, a cidade de Davi, se tornara, por eleição divina, a “Cidade do Senhor”, na qual se congregava todo o povo de Israel, tanto os judeus quanto os prosélitos! Os grandes profetas de Israel divulgavam esta crença, fazendo com que todos os judeus piedosos passassem a venerar e a saudar Jerusalém como a cidade santa, a cidade de Davi, na qual, tanto os judeus quanto os prosélitos, podiam encontrar o Deus de Israel para adorá-lo e servi-lo.
Deste modo, grandes multidões de judeus da diáspora, acompanhados de inúmeros pagãos convertidos à esta fé, peregrinavam à Jerusalém, cantando salmos de louvores ao Senhor, dizendo: “O Senhor ama a cidade que fundou no Monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. Dizem coisas gloriosas da Cidade do Senhor. Lembro o Egito e Babilônia entre os meus veneradores. Na Filisteia ou em Tiro ou no país da Etiópia, este ou aquele ali nasceu. De Sião, porém, se diz: ‘Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança’. Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: ‘Foi ali que estes nasceram’. E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: ‘Estão em ti as nossas fontes'” (Sl 86, 1-7)! Assim sendo, Jerusalém tornou-se uma cidade cosmopolita, transformando-se no principal local de culto da religião judaica, na qual habitavam judeus e prosélitos de toda a terra, sob a proteção do Deus de Israel.
No tempo de Jesus Cristo, este judaísmo messiânico e universal – que tinha a cidade de Jerusalém e o seu Templo como os fundamentos de sua fé e do culto ao Deus verdadeiro -, estava no seu apogeu. Jesus também entendia que ele, sendo o Messias e o filho de Davi, tinha um vínculo muito estreito com a cidade de Jerusalém. Ele sabia perfeitamente que os últimos acontecimentos de sua vida – a Paixão, a Morte e a Ressurreição – deveriam acontecer na cidade messiânica de Jerusalém. “Por isso, quando estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu, ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9, 51). Pois, conforme a vontade de Deus, Jesus Cristo sabia que ali, na cidade de Jerusalém, “o Filho do Homem deveria servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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