

Naqueles dias, a Palavra do Senhor foi-me dirigida: “Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.
Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me! Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo. Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.
Felizes os que são perseguidos, por causa da justiça do Senhor, porque o Reino dos Céus há de ser deles!
Naquele tempo, Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra da celebração de hoje faz a solene memória do martírio de São João Batista. Ele foi o primeiro a ser contemplado com as bem-aventuranças eternas, no Reino dos Céus; por ter suportado a perseguição e a morte por causa de Cristo e de seu Evangelho; como disse Jesus: “Felizes os que são perseguidos, por causa da justiça do Senhor, porque o Reino dos Céus há de ser deles” ( Mt 5, 10)!
Podemos dizer que João Batista, ao obter a coroa do martírio, atingiu o ápice do seu profetismo e do seu testemunho de Cristo e do seu Evangelho. Do mesmo jeito que ele viveu, também ele morreu! Como bom profeta, viveu e morreu pregando a Palavra de Deus que lhe fora revelada! Seguindo a longa tradição profética, João Batista assumiu com coragem a mesma missão que foi confiada a Jeremias. Por isso, ele denunciava, de forma prudente e destemida, as iniquidades dos chefes do povo e dos reis. Assim como Jeremias fazia, quando Deus lhe havia ordenado profetizar, dizendo-lhe: “Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor” (Jr 1, 17-19).
Como precursor de Jesus Cristo, João Batista passou a sua vida pregando o Evangelho da verdade e da justiça, denunciando os pecadores em suas iniquidades e convocando as pessoas ao arrependimento, sem temer que seus inimigos pudessem tirar-lhe a vida. “Pois, naquele tempo, João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão dos pecados” (Mc 1, 4).
Assim como o profeta João Batista foi arrebanhando discípulos e admiradores, com as suas pregações penitenciais e evangélicas, ele também foi arranjando inimigos por todo lado, sobretudo entre as pessoas mais abastadas e entre as autoridades civis e religiosas de Israel. Por isso, João Batista tornou-se pessoa detestada e odiada pelo rei Herodes e por toda a sua corte. Isto, por certo, se comprova nas palavras do Evangelista Marco, que disse: “Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. João dizia a Herodes: ‘Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão’. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava” (Cfr. Mc 6, 17-20).
Em consequência de sua pregação, por denunciar os pecados de Herodes, João Batista foi preso. E logo a seguir foi-lhe decretada a morte do seguinte modo: “Naquele mesmo dia o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram” (Mc 6, 27-29).
A seguir, os discípulos de João receberam de Jesus as seguintes palavras de consolo, dizendo: “Felizes os que são perseguidos, por causa da justiça do Senhor, porque o Reino dos Céus há de ser deles” ( Mt 5, 10)!
Caros irmãos, unamos a nossa voz à voz do mártir e precursor de Jesus Cristo, São João Batista, o profeta e testemunha do nosso Senhor e Salvador, e invoquemos a proteção divina sobre nós, afim que o nosso Salvador nos livre de nossos inimigos e nos dê a sua salvação, dizendo: “Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me! Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude” (Sl 70, 1-5)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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