

Naquele tempo, todos os habitantes de Siquém e os de Bet-Melo se reuniram junto a um carvalho que havia em Siquém e proclamaram rei a Abimelec. Informado disso, Joatão foi postar-se no cume do monte Garizim e se pôs a gritar em alta voz, dizendo: “Ouvi-me, moradores de Siquém, e que Deus vos ouça. Certa vez, as árvores resolveram ungir um rei para reinar sobre elas, e disseram à oliveira: ‘Reina sobre nós’. Mas ela respondeu: ‘Iria eu renunciar ao meu azeite, com que se honram os deuses e os homens, para me balançar acima das árvores?’ Então as árvores disseram à figueira: ‘Vem e reina sobre nós’. E ela lhes respondeu: ‘Iria eu renunciar à minha doçura e aos saborosos frutos, para me balançar acima das outras árvores?’ As árvores disseram então à videira: ‘Vem e reina sobre nós’. E ela lhes respondeu: ‘Iria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para me balançar acima das outras árvores?’ Por fim, todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Vem tu reinar sobre nós’. O espinheiro respondeu-lhes: ‘Se deveras me constituís vosso rei, vinde e repousai à minha sombra; mas se não o quereis, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano!'”
Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra; quanto exulta de alegria em vosso auxílio! O que sonhou seu coração, lhe concedestes; não recusastes os pedidos de seus lábios. Com bênção generosa o preparastes; de ouro puro coroastes sua fronte. A vida ele pediu e vós lhe destes, longos dias, vida longa pelos séculos. É grande a sua glória em vosso auxílio; de esplendor e majestade o revestistes. Transformastes o seu nome numa bênção, e o cobristes de alegria em vossa face.
A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’ Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos ensina uma importante mensagem de sabedoria a respeito daqueles que o Senhor haveria de estabelecer para governar o Povo de Deus em seu lugar. Pois, todos os governantes e administradores do povo deveriam tratar os seu súditos da mesma forma como o Senhor – o justo e bondoso Juiz e Rei do Universo – governa todos os homens! E ele, o nosso Rei e Senhor, governa e julga a todos os homens com justiça e bondade, pois ele conhece os pensamentos e as intensões dos seus corações!
No Livro dos Juízes, o autor sagrado dizia que as Doze Tribos de Israel deveriam ser governadas por juízes, governadores ou por um rei escolhido por Deus, para que esse governasse o seu Povo em seu lugar. Porém, os rebeldes e insensatos, que não aceitassem ser governados pelo Senhor, receberiam como castigo, um tirano para os governar. Já no Evangelho que ouvimos, Jesus dizia que o Reino de Deus seria governado por ele pessoalmente, como um patrão que administra uma vinha; e que trataria os seus empregados com largueza de espírito, sendo-lhes justo e generoso.
Deste modo, caros irmãos, naqueles tempos antigos, quando as Doze Tribos de Israel eram governadas por juízes eleitos por Deus, muitos chefes do povo quiseram eleger para si um rei que governasse Israel. Então, sem consultar a Deus, “todos os habitantes de Siquém e os de Bet-Melo se reuniram junto a um carvalho que havia em Siquém e proclamaram rei a Abimelec” (Jz 9, 6). Abimelec, filho de Gedeão, apresentou-se, então, para ser rei de Israel, depois de ter cometido muitas maldades e ter assassinado todos os seus irmãos, exceto Joatão. E Joatão, seguindo as ordens de seu pai Gedeão, que governara Israel por quarenta anos como juiz, queria que o Senhor continuasse reinando sobre Israel, através de juízes eleitos por Deus.
Diante disto, com toda coragem, Joatão se apresentou diante da assembleia do chefes reunidos em Siquém, e lhes alertou sobre os perigos desta decisão, de constituírem alguém como rei que não fosse digno do cargo e nem eleito por Deus, contando-lhes a apologia das árvores, dizendo: “Certa vez, as árvores resolveram ungir um rei para reinar sobre elas, e disseram à oliveira: ‘Reina sobre nós’. Mas ela respondeu: ‘Iria eu renunciar ao meu azeite, com que se honram os deuses e os homens, para me balançar acima das árvores? [E assim, todas as árvores mais nobres abdicaram do seu direito de ser eleito rei.] Por fim, todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Vem tu reinar sobre nós’. O espinheiro respondeu-lhes: ‘Se deveras me constituís vosso rei, vinde e repousai à minha sombra; mas se não o quereis, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano” (Jz 9, 8-9; 14-15)! Ou seja, Joatão quis dizer o seguinte aos chefes de Israel: Toda vez que os homens bons, nobres e justos abdicassem de governar o povo, haveria de aparecer no lugar deles os espertalhões e os malvados que se prontificariam a exercer tal encargo.
Portanto, o rei digno e justo que viesse a ser eleito por Deus, este sim, haveria de governar o povo de Israel na justiça e na equidade, como disse o profeta: “Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra! O que sonhou seu coração, lhe concedestes; não recusastes os pedidos de seus lábios. Com bênção generosa o preparastes; de ouro puro coroastes sua fronte. É grande a sua glória em vosso auxílio; de esplendor e majestade o revestistes” (Sl 20, 2-4; 6)!
No Evangelho que ouvimos, Jesus Cristo voltou a pregar em parábolas, para explicar alguns aspectos importantes do Reino dos céus. Depois de contar a parábola do patrão que contratou empregados para trabalhar em sua vinha, oferecendo a todos um salário justo, ele acabou pagando a mesma quantia para os trabalhadores que foram contratados em horários bem diferentes. Com esta parábola, Jesus quis nos dizer que ele governava com generosidade e com justiça o Reino de Deus, tratando os seus súditos com equidade, com liberalidade e honestidade; recompensando a cada um de acordo com o seu merecimento e de acordo com a generosidade do seu coração! Por isso, Jesus disse, como mensagem final de sua pregação: “Assim, no Reino de Deus os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20, 16).
Com esta parábola, Jesus Cristo quis dizer que ele saberia julgar com toda justiça e honestidade todos aqueles que ele haveria de considerar aptos e dignos de entrar no Reino dos Céus, pois: “a palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração” ( Hb 4, 12).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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