

Moisés falou ao povo, dizendo: Vê: é ao Senhor teu Deus que pertencem os céus, o mais alto dos céus, a terra e tudo o que nela existe. No entanto, foi a teus pais que o Senhor se afeiçoou e amou; e, depois deles, foi à sua descendência, isto é, a vós, que ele escolheu entre todos os povos, como hoje está provado. Abri, pois, o vosso coração, e não endureçais mais vossa cerviz, porque o vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas nem aceita suborno. Ele faz justiça ao órfão e à viúva, ama o estrangeiro e lhe dá alimento e roupa. Portanto, amai os estrangeiros, porque vós também fostes estrangeiros na terra do Egito. Temerás o Senhor teu Deus e só a ele servirás; a ele te apegarás e jurarás por seu nome. Ele é o teu louvor, ele é o teu Deus, que fez por ti essas coisas grandes e terríveis que viste com teus próprios olhos. Ao descerem para o Egito, teus pais eram apenas setenta pessoas, e agora o Senhor teu Deus te fez tão numeroso como as estrelas do céu”
Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou. Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.
Naquele tempo, quando Jesus e os seus discípulos estavam reunidos na Galileia, ele lhes disse: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará”. E os discípulos ficaram muito tristes. Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto do Templo aproximaram-se de Pedro e perguntaram: “O vosso mestre não paga o imposto do Templo?” Pedro respondeu: “Sim, paga”. Ao entrar em casa, Jesus adiantou-se, e perguntou: “Simão, que te parece: Os reis da terra cobram impostos ou taxas de quem: dos filhos ou dos estranhos?” Pedro respondeu: “Dos estranhos!” Então Jesus disse: “Logo os filhos são livres. Mas, para não escandalizar essa gente, vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que tu pescares. Ali tu encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra nos apresenta hoje os fundamentos de nossa fé no Senhor, o nosso Deus, que se revelou a Moisés e ao Povo de Israel como o Senhor e Deus onipotente, o Criador do céu e da terra; e que se manifestou na pessoa de Jesus Cristo como o Filho do Homem e como o Filho de Deus; revelando-se aos apóstolos como o Senhor e o Salvador de todos os homens!
Na leitura do Livro do Deuteronômio nós vimos Moisés exortando o Povo de Israel – o Povo eleito e amado por Deus – a guardar com todo cuidado o patrimônio mais preciso que ele havia recebido de Deus. Este bem tão precioso e inestimável era, certamente, a maior riqueza que ele possuía, e que lhe conferiria uma identidade nacional, permitindo-lhe alcançar uma condição de vida próspera e feliz, na terra que Deus lhe prometera com juramento conceder. Nenhum outro povo teve os privilégios e os benefícios que o Povo hebreu teve da parte de Deus. E, diante disso, o Senhor seu Deus pedia ao Povo de Israel duas coisas apenas: 1. Ser fiel ao Senhor seu Deus, com temor, com fé e com amor; 2. Guardar os seus mandamentos decretados no seu Decálogo! Conforme as palavras de Moisés: “Vê: é ao Senhor teu Deus que pertencem os céus, o mais alto dos céus, a terra e tudo o que nela existe. No entanto, foi a teus pais que o Senhor se afeiçoou e amou; e, depois deles, foi à sua descendência, isto é, a vós, que ele escolheu entre todos os povos, como hoje está provado. Temerás o Senhor teu Deus e só a ele servirás” (Dt 10, 14-15; 20).
E ao mesmo tempo, Moisés revelou ao povo alguns traços fundamentais deste Senhor e Deus, dizendo-lhe: 1. “Este é o Senhor teu Deus” (Dt 14; 20; 22). 2. “A este Senhor teu Deus pertencem os céus, o mais alto dos céus, a terra e tudo o que nela existe” (Dt 10, 14) . 3. “O vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível” (Dt 10, 17). 4. “Foi a teus pais que o Senhor se afeiçoou e amou; e, depois deles, foi à sua descendência, isto é, a vós, que ele escolheu entre todos os povos” (Dt 10, 15). 5. “Temerás o Senhor teu Deus e só a ele servirás; a ele te apegarás e jurarás por seu nome. Ele é o teu louvor, ele é o teu Deus” (Dt 10, 20-21)!
E finalmente, todo o povo de Israel era exortado pelo profeta a renovar a sua fé e o seu amor ao Senhor seu Deus, com hinos de louvor e de gratidão, dizendo-lhe: “Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Ele anunciou a Jacó sua palavra, seus preceitos suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos” (Sl 147, 12; 19-20).
No Evangelho que ouvimos, Jesus Cristo se pôs a anunciar aos seus discípulos o motivo primordial de sua vinda a esse mundo, dizendo: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, mas no terceiro dia ele ressuscitará” (Mt 17, 22-23). Jesus, sendo Deus, profetizava aos discípulos sobre os mistérios de seu sacrifício na cruz e a respeito de sua gloriosa ressurreição. Ao profetizar sobre tais coisas, Jesus estava dando provas de sua divindade e revelando o misterioso plano divino de salvação, que deveriam acontecer em sua humanidade! Os discípulos, contudo, ficaram tristes e aborrecidos com as palavras de Jesus porque eles consideraram apenas a notícia negativa de sua morte humilhante, sem considerar a sua gloriosa ressurreição.
Para não deixá-los amargurados e escandalizados com a notícia de sua morte na cruz, Jesus voltou, então, a manifestar aos discípulos a sua condição divina, quando ele tocou no assunto a respeito do pagamento do imposto do Templo. Então, Jesus falou a Pedro, dizendo: “Vai ao mar, lança o anzol, e abre a boca do primeiro peixe que tu pescares. Ali tu encontrarás uma moeda; pega então a moeda e vai entregá-la a eles, por mim e por ti” (Mt 10, 27). Com isto, sutilmente, Jesus despertou novamente em Pedro a fé na sua divindade e a esperança de salvação eterna, pois, foi “pelo Evangelho que o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo” (Cfr. 2Ts 2, 14).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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