

Naqueles dias, Moisés voltou do cume da montanha, trazendo nas mãos as duas tábuas da aliança, que estavam escritas de ambos os lados. Elas eram obra de Deus e a escritura nelas gravada era a escritura mesma de Deus. Quando chegou perto do acampamento, e viu o bezerro e as danças, Moisés encheu-se de ira e arremessou por terra as tábuas, quebrando-as no sopé da montanha. Em seguida, apoderou-se do bezerro que haviam feito, queimou-o e triturou-o, até reduzi-lo a pó. Depois, espalhou o pó na água, e fez os filhos de Israel beberem dela. Moisés disse a Aarão: “Que te fez este povo, para atraíres sobre ele tão grande pecado?” Aarão respondeu: “Não se indigne o meu Senhor. Tu bem sabes que este povo é inclinado ao mal. No dia seguinte, Moisés disse ao povo: “Vós cometestes um grandíssimo pecado. Mas vou subir ao Senhor para ver se de algum modo poderei obter perdão para o vosso delito”. Moisés voltou para junto do Senhor, e disse: “Ah! este povo cometeu um grandíssimo pecado: fizeram para si deuses de ouro. Peço-te que lhe perdoes esta culpa, senão, risca-me do livro que escreveste”. O Senhor respondeu a Moisés: “É aquele que pecou contra mim que eu riscarei do meu livro. E agora vai, e conduze este povo para onde eu te disse. O meu anjo irá à tua frente; mas, quando chegar o dia do castigo, eu os punirei por este seu pecado”.
Construíram um bezerro no Horeb e adoraram uma estátua de metal; eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, pela imagem de um boi que come feno. Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas. Até pensava em acabar com sua raça, não se tivesse Moisés, o seu eleito, interposto, intercedendo junto a ele, para impedir que sua ira os destruísse.
Deus nos gerou pela palavra da verdade como as primícias de suas criaturas.
Naquele tempo, Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos.” Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos revelou que o povo hebreu, ao longo de todos os tempos se mostrou como sendo um povo de cabeça dura e “um povo inclinado ao mal” (Êx 32, 22). Por causa desta perversa inclinação ao mal, o povo hebreu, lá no deserto, deixou-se levar pela idolatria, enquanto Deus entregava a Moisés as tábuas dos Dez Mandamentos. E posteriormente, diante de Jesus Cristo, este mesmo povo de Israel se mostrara incrivelmente incrédulo e indiferente diante da sua pregação. Apesar de Jesus fazer uso dos melhores métodos de persuasão e de ensinar-lhes com toda sabedoria e simplicidade, por meio de parábolas, contudo, apenas alguns poucos se converteram e acreditaram nele!
Jesus Cristo, quando começou a anunciar o seu Evangelho, tinha o costume de pregar por meio de parábolas, por entender que elas seriam um recurso de linguagem formidável para falar sobre as realidades divinas e sobre os mistérios do Reino dos céus. Contudo, o próprio Jesus percebia que, mesmo fazendo uso das melhores técnicas de comunicação para atrair a atenção das pessoas que se aglomeravam em torno dele, nem sempre conseguia se fazer compreendido e nem conseguia convencer as pessoas com a sua pregação. Muitos ouvintes, infelizmente, demonstravam um desinteresse e uma apatia pela sua pregação, evidenciando uma incredulidade espantos! Por isso, o Evangelista fez o seguinte comentário: “Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’” (Mt 13, 34-35).
E mais ainda! Certa vez Jesus foi interrogado pelos seus discípulos sobre o motivo de ele contar em público para as multidões apenas as parábolas, mas costumava dar a explicação espiritual delas somente aos seus discípulos, em particular. Então, ao responder esta questão, Jesus – deixando entrever o quanto ele estava desapontado e triste com a incredulidade dos seus irmãos no judaísmo – disse aos seus discípulos: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não vejam, e ouvindo, eles não escutem, nem compreendam. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’ (Mt 13, 11-15).
Este comportamento dos judeus diante da pregação de Jesus era muito semelhante àquela do povo hebreu em frente ao Monte Sinai, lá no deserto. Pois estes, depois de terem visto os estupendos sinais divinos no monte Sinai; e terem ouvido a voz de Deus ao anunciar-lhes os Dez Mandamentos; contudo, poucos dias depois, eles deram as costas para Deus. E, em grande festa, passaram a adorar um ídolo fabricado por eles, na forma de um bezerro de ouro. “Pois, naquele tempo, quando Moisés chegou perto do acampamento, e viu o bezerro e as danças, Moisés encheu-se de ira e arremessou por terra as tábuas, quebrando-as no sopé da montanha. Em seguida, apoderou-se do bezerro que haviam feito, queimou-o e triturou-o, até reduzi-lo a pó. Depois, espalhou o pó na água, e fez os filhos de Israel beberem dela. Moisés disse a Aarão: ‘Que te fez este povo, para atraíres sobre ele tão grande pecado?’ Aarão respondeu: ‘Não se indigne o meu Senhor. Tu bem sabes que este povo é inclinado ao mal’ (Ex 32, 19-22).
O Senhor Deus, diante destes fatos, demonstrou à Moisés o quanto ele ficara ofendido e desapontado com esta atitude covarde e traiçoeira de seu Povo, dizendo-lhe: “É aquele que pecou contra mim que eu riscarei do meu livro. E agora vai, e conduze este povo para onde eu te disse. O meu anjo irá à tua frente; mas, quando chegar o dia do castigo, eu os punirei por este seu pecado” (Ex 32, 33-34). Pois, com todo atrevimento, eles “construíram um bezerro no Horeb e adoraram uma estátua de metal; eles trocaram o seu Deus, que é sua glória, pela imagem de um boi que come feno. Esqueceram-se do Deus que os salvara, que fizera maravilhas no Egito; no país de Cam fez tantas obras admiráveis, no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas” (Sl 105, 19-22). Porém, apesar dos seus pecados, Deus se manteve paciente e indulgente com o seu povo, na expectativa de que alguns se convertessem e buscassem a sua salvação!
WhatsApp us