

Moisés falou ao povo, dizendo: Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance. Não está no céu, para que possas dizer: ‘Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’ Nem está do outro lado do mar, para que possas alegar: ‘Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?’ Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir.
Por isso elevo para vós minha oração, neste tempo favorável, Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça, ponde os olhos sobre mim com grande amor! Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos. Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, reconstruindo as cidades de Judá. A descendência de seus servos há de herdá-las, e os que amam o santo nome do Senhor dentro delas fixarão sua morada!
Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois por causa dele, foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.
Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida; as palavras que dizeis bem que são de eterna vida!
Naquele tempo, Um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste Domingo quer responder-nos, através de todas as leituras que ouvimos, aquela pergunta que o mestre da Lei fez a Jesus, dizendo: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna” (Lc 10, 25)?” Tanto Jesus Cristo quanto Moisés e o profeta Davi disseram que poderemos herdar a vida e a salvação eterna se praticarmos, com amor e sinceridade, os mandamentos da Lei de Deus. E o apóstolo Paulo disse que, além da observância dos mandamentos, era necessário crer em Jesus Cristo, pois ele era o Divino Salvador!
Antes de falar sobre o mistério da salvação e sobre as respostas que a Liturgia da Palavra nos ofereceu sobre este misterioso caminho de salvação, eu gostaria de fazer duas breves considerações preliminares. A primeira consideração que eu faria a respeito deste tema, foi o fato de que Jesus ter despertado nas pessoas, por meio de suas pregações, um desejo muito forte de se salvar e de entrar neste Reino dos céus; e assim, ter despertado neles o desejo de herdar este lugar tão maravilhoso e bem-aventurado junto de Deus! A outra consideração se relaciona ao fato de que as pessoas começaram a se questionar sobre os meios de se alcançar esta vida futura e eterna, depois da morte. Pois Jesus, em suas pregações, fazia esta conexão entre a vida eterna e a conduta de vida das pessoas aqui neste mundo. Deste modo, elas começaram a se questionar sobre a própria conduta de vida, procurando saber o que deviam fazer ou evitar para alcançar a salvação na vida eterna!
São Mateus, no seu evangelho, deu a entender que o mestre da Lei, ao fazer a sua pergunta a Jesus – embora não estivesse bem intencionado -, revelava este anseio generalizado nos seus ouvintes e que palpitava nos corações de muitos, de querer saber mais a respeito dos mistérios da salvação. Assim sendo, “naquele tempo, um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás” (Lc 10, 25-28).
Esta resposta de Jesus mostrava que no duplo mandamento da Lei de Deus – que consistia no amor a Deus e no amor ao próximo -, estavam resumidas toda a Lei de Deus e as normas de conduta humana que deveriam ser praticadas para se obter a salvação e herdar a vida eterna. Por isso, era necessário estar bem atento com as palavras de Jesus, contidas nos seu Evangelho, pois ali estava toda a verdade que devia iluminar o caminho da salvação; como disse Jesus: “As palavras que falei são Espírito e são vida” (Jo 6, 63). Por isso, poderíamos dizer-lhe, assim como disse Pedro: “Ó Senhor, só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68)!
Jesus, contudo, respondeu de forma magistral à pergunta do mestre da Lei, que, com certeza, todos nós gostaríamos de fazê-la! Com esta resposta Jesus deu a entender que a salvação era possível de ser alcançada e que todos nós poderíamos, de fato, tornar-nos herdeiros do Reino dos céus, desde que seguíssemos o caminho que nos leva à salvação e ao Reino dos céus. E este caminho de salvação consistia no conhecimento e na prática da Lei de Deus. Como já dizia, outrora, Moisés, quando ele falava sobre a grandeza e a facilidade de conhecer e praticar esta Lei, dizendo: “Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance. Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir (Dt 30, 10-11; 14).
Deste modo, caros irmãos, todos os humildes que temem ao Senhor, seguindo Jesus Cristo em seu caminho e em seus preceitos, podem manifestar a sua esperança de salvação, dizendo ao Senhor com toda a confiança: “Respondei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça. Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá se procurardes o Senhor continuamente! Sim, Deus virá e salvará Jerusalém” (68, 16-17; 33; 36)!
Por fim, num magnífico hino de louvor, São Paulo revelou-nos o mistério da redenção e da salvação que Deus realizou mediante o seu Filho Jesus Cristo, dizendo: “Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz” (Cl 1, 15; 18-20).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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