

Assim diz o Senhor Deus: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que forem dispersadas num dia de nuvens e escuridão. Vou retirar minhas ovelhas do meio dos povos e recolhê-las do meio dos países para conduzi-las à sua terra. Vou apascentar as ovelhas sobre os montes de Israel, nos vales dos riachos e em todas as regiões habitáveis do país. Vou apascentá-las em boas pastagens e nos altos montes de Israel estará o seu abrigo. Ali repousarão em prados verdejantes e pastarão em férteis pastagens sobre os montes de Israel. Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar – oráculo do Senhor Deus. Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito”.
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança! Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda. Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.
Irmãos: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! Ainda mais: Nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.
Tomai sobre vós o meu jugo e de mim aprendei que sou de manso e humilde coração.
Naquele tempo, Jesus contou aos escribas e fariseus esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Igreja celebra hoje a solene festa do Sagrado Coração de Jesus. Por isso, a Liturgia da Palavra apresenta diversos textos bíblicos que fundamentam esta devoção, dando um destaque todo especial à pessoa humana e divina de Cristo, como o Bom Pastor, que possui um coração manso, humilde e misericordioso! Esta é, portanto, a razão pela qual o Sagrado Coração de Jesus se apresente nesta liturgia como o Pastor e o Salvador de suas ovelhas!
Deste modo, caros irmãos, todos nós somos levados a contemplar Jesus Cristo na imagem do Sagrado Coração de Jesus e dar-lhe ouvidos ao seu amável convite, que nos diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Pois, o Cristo Senhor, que hoje veneramos e adoramos sob a imagem do Sagrado Coração de Jesus, nos leva a dizer: Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!
São Paulo, na sua Carta aos Romanos, nos apresenta o Sagrado Coração de Jesus nas expressões teológicas mais profundas, demonstrando que neste coração humano e divino de Cristo se realizou o plano de redenção e de salvação de toda a humanidade. Nesta carta ele descreveu o grande amor de misericórdia do Sagrado Coração de Jesus, dizendo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5). E logo a seguir, ele demonstrou como este amor misericordioso do Coração de Cristo foi derramado sobre os homens, redimindo-os e justificando-os dos seus pecados, mediante o seu sangue derramado na Cruz. Por isso, Paulo disse: “Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele” (Rm 5, 6; 8-9).
E este sangue derramado na cruz, expressão do amor misericordioso do Coração de Cristo, teve os mais sublimes e excelentes efeitos sobre nós, dando-nos a redenção e a justificação de nossos pecados; a reconciliação com Deus e a salvação eterna; como disse Paulo: “Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Rm 5, 10)!
Jesus Cristo e os profetas desenvolveram a ideia de que o Sagrado Coração de Jesus seria aquele Bom Pastor que foi em busca de suas ovelhas que estavam dispersas neste mundo, para resgatá-las e salvá-las. Jesus se apresentou, na parábola que ele contou a respeito de si mesmo, como aquele pastor solícito e misericordioso, à procura da ovelha perdida, para resgatá-la e salvá-la, dizendo: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!'” (Lc 15, 4-6).
Os profetas Ezequiel e Davi foram muito felizes nas suas revelações sobre o amor misericordioso do Coração de Cristo, apresentando-o como o Divino Pastor que pessoalmente iria apascentar as suas ovelhas, resgatando-as de todos os recantos do mundo para conduzi-las à sua casa, no Reino do Céus. O profeta Ezequiel, então, disse: “Assim diz o Senhor Deus: ‘Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que forem dispersadas num dia de nuvens e escuridão. Vou retirar minhas ovelhas do meio dos povos e recolhê-las do meio dos países para conduzi-las à sua terra'” (Ez 34, 11-13). E, para confirmar estas palavras, o rei Davi disse: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos” (Sl 22, 1-2; 6).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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