

Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e como sacerdote do Deus Altíssimo, abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra! Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo.
Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!” O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos; tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!” Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!”
Irmãos: O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em minha memória”. Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.
Terra, exulta de alegria, louva teu pastor e guia com teus hinos, tua voz! Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede o teu louvor! Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida vem com ela celebrar! Este pão, que o mundo o creia! Por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu. Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração! Quão solene a festa, o dia, que da santa Eucaristia nos recorda a instituição! Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a Páscoa dos judeus. Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo: foge a noite, chega a luz. O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar. Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação. Eis o pão que os anjos comem transformado em pão do homem; só os filhos o consomem: não será lançado aos cães! Em sinais prefigurado, por Abraão foi imolado, no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná. Bom pastor, pão de verdade, piedade, ó Jesus, piedade, conservai-nos na unidade, extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai! Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá do céu!
Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão come, sempre, há de viver!
Naquele tempo, Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam. A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto” Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”. Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”. Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra, ao celebrar a solene festa litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, quer nos revelar os grandes mistérios divinos que se manifestam na presença real de Cristo, sob as espécies do pão e do vinho. Foi ele mesmo quem instituiu este sacramento de seu Corpo e de seu Sangue, e foi ele quem constituiu os apóstolos como os ministros da celebração da Eucaristia, transformando, assim, o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue.
Como proclamou Santo Tomás de Aquino, caros irmãos, num belíssimo hino de louvor à Eucaristia, no qual ele dizia: “Terra inteira, exulta de alegria! Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida vem com ela celebrar! Quão solene a festa, o dia, que da santa Eucaristia nos recorda a instituição! Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza. O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar” (Sequência).
A santa Eucaristia, desde aquele dia glorioso de sua instituição, tornou-se um dos acontecimentos mais importantes realizados por Cristo na sua Igreja. Jesus Cristo, com este sacramento da Eucaristia, havia criado um modo discreto e sublime de continuar presente no mundo e na sua Igreja, de forma visível e palpável em seu Corpo e em seu Sangue. Utilizando-se, assim, das espécies do pão e do vinho! Coisa realmente admirável e surpreendente! Pois, desde então, os nossos olhos e os nossos sentidos podiam ver e tocar o Corpo Glorioso do Senhor, no pão e no vinho; e a nossa fé podia acreditar na presença real e espiritual do Corpo e do Sangue de Cristo, sob as espécies materiais do pão e do vinho. E, além de tudo isto, algo mais sublime e extraordinário! Nós podemos trazê-lo para dentro de nós, fazendo a comunhão do seu Corpo e do seu Sangue!
Conforme as palavras de Santo Tomás: “O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia repeti-lo até voltar. Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação. Faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo: deve-o crer todo cristão. Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé. Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais… Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão” (Sequência).
São Paulo explicou-nos este mistério divino do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, apresentando-nos a Eucaristia no momento em que Jesus o instituiu, naquela Quinta-feira Santa, quando Jesus estava reunido com os apóstolos para celebrar a ceia pascal. São Paulo, disse, então: “Irmãos: ‘O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em minha memória”. Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha'” (1Cor 11, 23-26).
Portanto, caros irmãos, nós somos levados a acreditar que este milagre da transubstanciação do pão em corpo de Cristo, foi um dos mais sublimes testemunhos da divindade de nosso Senhor Jesus Cristo. Como ele mesmo disse: “Eu sou o pão vivo descido do céu; quem come deste pão, sempre há de viver” (Jo 6, 51)! Pois, o mesmo Senhor e Deus que tornou o pão em carne de Cristo, foi aquele que fez o milagre de multiplicar em milhares de pães, utilizando-se as espécies de cinco pães, como aconteceu naquele dia: “Então, Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. Todos comeram e ficaram satisfeitos” (Lc 9, 16-17).
E, finalmente, podemos dizer que a celebração deste sagrado sacrifício do Corpo e Sangue de Cristo fora prefigurado e profetizado por Melquisedec, o misterioso rei e sumo sacerdote de Salém, como disse o Escritor Sagrado: “Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho, como sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14, 18). Por isso, o sacrifício oferecido por Cristo no Cenáculo não seria conforme o sacrifício judaico de Aarão, mas conforme o sacrifício de Meslquisec, como disse o profeta: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec” (Sl 109, 4)! Em cujo sacrifício não foi oferecido um cordeiro, mas pão e vinho, do mesmo modo como Jesus fez naquela ceia Pascal!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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