

Dizem entre si, os ímpios, em seus falsos raciocínios: Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis. Somos comparados por ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras.
O Senhor volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta. Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de se quebrar. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.
Glória a Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai! O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus.
Naquele tempo, Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas. Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é”. Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.
Caríssimos irmãos! Na Liturgia da Palavra de hoje haveremos de constatar que os justos e os ímpios, normalmente, vivem lado-a-lado, bem próximos uns dos outros. Geralmente convivem numa mesma família e numa mesma comunidade, ou fazem parte desta imensa Igreja Católica, com certa familiaridade e fraternidade! Porém, subitamente, a paz e a concórdia dão lugar a conflitos e discórdias! Assim, os ímpios, por inveja começam a perseguir os justos! No caso de Jesus Cristo, o Justo e Santo, verificamos que ele foi igualmente perseguido pelos ímpios e pelos invejosos irmãos do judaísmo!
Assim sendo, nós constatamos que em nosso meio, alguns justos, furtivamente e às ocultas, decidem assumir a condição de ímpios. Embora, estes Ímpios fossem, outrora, na verdade, todos justos e fiéis cristãos, que se tratavam mutuamente na caridade e em comunhão fraterna; porém, de repente, se instalou entre eles a rivalidade e o conflito. Assim, os ímpios, instigados pelo Maligno Tentador e pela própria soberba, mudaram os seus pensamentos e as suas convicções! Trocaram o Evangelho do Senhor por teorias e interpretações próprias; abandonando, assim, boa parte da sua fé para abraçar, com fanatismo e obstinação, novas crenças, opiniões escandalosas e ideologias fúteis e mundanas. Deste modo, estes que repentinamente abandonaram a justiça e a verdade, tornaram-se ímpios em seus corações, pervertendo-se em seus falsos raciocínios! Transformando-se, assim, em inimigos dos justos e de toda justiça e piedade.
Por isso, “dizem entre si, os ímpios, em seus falsos raciocínios: ‘Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis” (Sb 1; 12-15).
Jesus Cristo, por sua vez, foi perseguido pelos ímpios judeus, que o cercaram e o ameaçaram com uma inveja demoníaca e maligna – que fez despertar dentro deles um rancor furioso e um ódio mortal – contra o Justo e o Bondoso Senhor nosso, Jesus Cristo! Por isso, Jesus teve que tomar algumas precauções diante de seus inimigos e “evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo” (Jo 7, 1). Embora Jesus Cristo e os judeus fossem irmãos, filhos do Povo Eleito, as divergências e conflitos começaram a acontecer quando uma certa porção de judeus, sobretudo as autoridades de Jerusalém, se tornou ímpia, não suportando mais a pregação de Jesus e a sua própria pessoa, que era, na verdade, um homem justo e santo! E, este ódio contra Jesus atingiu um grau tão elevado ao ponto de tramarem a sua morte.
Por este motivo, para evitar estes maus irmãos que o odiavam e tramavam a sua morte, como disse o Evangelista: “Quando seus irmãos já tinham subido, então também Jesus subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas. Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é” (Jo 7, 25-27).
Mesmo sabendo que os judeus em Jerusalém o perseguiam, Jesus não deixou de ir lá e ensinar no Templo. Não fazia isto por provação, mas por obrigação e coragem! Ele se apresentava publicamente para pregar no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora” (Jo 7, 28-30).
Como disse o justo salmista em sua oração: “O Senhor volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta” (Sl 33, 17-20). E assim, o justo pode louvar o Senhor dizendo: “Glória a Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai” (Acl. ao Ev.)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
WhatsApp us