

Naqueles dias, o Senhor disse a Josué: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados nesse mesmo dia. O maná cessou de cair no dia seguinte, quando comeram dos produtos da terra. Os israelitas não mais tiveram o maná. Naquele ano comeram dos frutos da terra de Canaã.
Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou. Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.
Irmãos: Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.
Louvor e honra a vós, Senhor Jesus. Vou levantar-me e vou a meu pai e lhe direi: Meu pai, eu pequei contra o céu e contra ti.
Naquele tempo, Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra deste quarto Domingo da Quaresma nos faz um ardente e forte convite a abandonarmos a vida de pecado e de reconciliar-nos com Deus. Pois, Deus nos garante, nas palavras que ouvimos nesta Liturgia, que ele está sempre pronto e disposto a nos acolher e restaurar a nossa vida, em toda sua dignidade e bem estar, reconciliando-se conosco, dando o seu perdão misericordioso. Assim, o pecador, uma vez reconciliado com e Deus e justificado, recupera a sua dignidade e obtém de Deus a graça da redenção e da salvação já aqui neste mundo.
A Liturgia da Palavra de hoje começou com um forte e ardente apelo de São Paulo aos cristãos, que se encontravam afastados de Deus, por causa do pecado. Paulo, em nome de Jesus Cristo, chamou a todos para que se animassem a voltar ao Senhor; a abandonar o pecado enquanto era tempo, e reconciliar-se com Deus. Animando-os e encorajando-os ao arrependimento, e aconselhando-os a se reconciliar com Deus e voltar àquela vida de santidade que haviam perdido. Pois, segundo Paulo, “tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Com efeito, em Cristo, Deus reconciliou o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação. Somos, pois, embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5, 18-20).
Este mesmo convite feito aos pecadores para que se reconciliassem com Deus foi feito, sobretudo, por nosso Senhor Jesus Cristo. Ele tinha o seu modo muito peculiar de fazer tal convite, ao se aproximar dos pecadores e acolhê-los com delicadeza. Como disse o Evangelista: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles'” (Lc 15, 1-2). Certamente Jesus não se aproximava dos pecadores para consentir com eles em seus pecados, e muito menos era-lhes complacente em suas iniquidades, como acusavam os fariseus. Jesus se aproximava dos pecadores para conquistá-los com amor e bondade à sua causa. Deste modo, os pecadores vendo um homem tão justo e santo, que os tratava tão bem, certamente teriam mais coragem e disposição de realizar uma obra tão difícil e exigente, qual seja, o de arrepender-se de seus pecados e buscar a sua reconciliação com Deus.
A seguir, aproveitou-se da circunstância de ter ao seu redor uma multidão de pessoas, formada de publicanos e de fariseus, Jesus Cristo tomou a palavra para dar-lhes o seu recado. Contudo, para não melindrar as pessoas, ele optou por fazer um discurso mais ameno, que os levaria a refletir e os faria pensar sobre a conduta de vida de cada um. Por isso, como de costume, ele contou uma parábola, na qual cada um poderia se enquadrar nela, bem como poderia abrir-se com fé e coragem para buscar a sua reconciliação com um Deus tão bondoso e misericordioso, quanto aquele apresentado por Jesus Cristo. “Então Jesus contou-lhes esta parábola: “Um homem tinha dois filhos …” (Lc 15, 3; 11).
E, prosseguindo em sua parábola, Jesus disse que o filho mais novo, depois de ter desperdiçado toda a sua herança, acabou caindo na miséria. Quando chegou neste ponto, envergonhado e aflito, começou a refletir sobre as suas loucuras e pecados. E logo a seguir, brotou nele o desejo de voltar para casa e reconciliar-se com seu pai. Então, voltando para casa, ele disse: “‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'” (Lc 15, 21-24) . Desta forma, com esta parábola, Jesus quis dizer que Deus acolhia com alegria e satisfação todo pecador que se arrependesse e se reconciliasse com ele, de todo coração!
De modo semelhante aconteceu com o Povo de Israel. Depois de ter passado por muitas provações no deserto e ter cometido inúmeras iniquidades, todo o povo se sentia, naquele momento, em paz com Deus, por ter se reconciliado com ele. “Então o Senhor disse a Josué: ‘Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito’. Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó” (Js 5, 9-10). E todo o Povo de Israel, reconciliado e em paz com Deus, desfrutando com alegria dos bens da terra, elevou um hino de louvor ao Senhor, dizendo: “Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, e o seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor! Contemplai a sua face e alegrai-vos! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia” (Sl 33, 2-3; 6-7).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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