

Da terra Deus criou o homem, e o formou à sua imagem. E à terra o faz voltar novamente, embora o tenha revestido de poder, semelhante ao seu. Concedeu-lhe dias contados e tempo determinado, deu-lhe autoridade sobre tudo o que está sobre a terra. Em todo ser vivo infundiu o temor do homem, fazendo-o dominar sobre as feras e os pássaros. Deu aos homens discernimento, língua, olhos, ouvidos, e um coração para pensar; encheu-os de inteligência e de sabedoria. Deu-lhes ainda a ciência do espírito, encheu o seu coração de bom senso e mostrou-lhes o bem e o mal. Infundiu o seu temor em seus corações, mostrando-lhes as grandezas de suas obras. Concedeu-lhes que se gloriassem de suas maravilhas, louvassem o seu Nome santo e proclamassem as grandezas de suas obras. Concedeu-lhes ainda a instrução e entregou-lhes por herança a lei da vida. Firmou com eles uma aliança eterna e mostrou-lhes sua justiça e seus julgamentos. Seus olhos viram as grandezas da sua glória e seus ouvidos ouviram a glória da sua voz. Ele lhes disse: “Tomai cuidado com tudo o que é injusto!” E a cada um deu mandamentos em relação ao seu próximo. Os caminhos dos homens estão sempre diante do Senhor e não podem ficar ocultos a seus olhos.
Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. Porque sabe de que barro somos feitos, e se lembra que apenas somos pó. Os dias do homem se parecem com a erva, ela floresce como a flor dos verdes campos; mas apenas sopra o vento ela se esvai, já nem sabemos onde era o seu lugar. Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme é de sempre e perdura para sempre; e também sua justiça se estende por gerações até os filhos de seus filhos, aos que guardam fielmente sua Aliança.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!
Naquele tempo, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje desenvolve uma maravilhosa doutrina sobre a dignidade e a bondade da natureza humana. Ou seja, quando Deus nos criou e colocou-nos neste mundo, deu-nos a capacidade de fazer o bem e evitar o mal; para viver na justiça e na inocência. Mesmo depois do pecado original, todo ser humano continuou recebendo de Deus a força de sua graça e o conhecimento de sua vontade, para preservar-se do mal e praticar o bem. Jesus Cristo, por sua vez, disse que as crianças revelavam espontaneamente esta bondade, esta simplicidade e esta inocência do ser humano criado por Deus. E todo aquele que se comportasse do jeito que as crianças se comportavam estariam aptos a entrar no Reino de Deus!
O sábio profeta Salomão deixou registrado no livro do Eclesiástico um verdadeiro hino de louvor à grandeza e a dignidade do ser humano – a obra prima da criação -, reconhecendo-o como a criatura que mais se assemelhava ao próprio Criador, dizendo: “Da terra Deus criou o homem, e o formou à sua imagem. E à terra o faz voltar novamente, embora o tenha revestido de poder, semelhante ao seu. Deu aos homens discernimento, língua, olhos, ouvidos, e um coração para pensar; encheu-os de inteligência e de sabedoria. Deu-lhes ainda a ciência do espírito, encheu o seu coração de bom senso e mostrou-lhes o bem e o mal. Infundiu o seu temor em seus corações, mostrando-lhes as grandezas de suas obras. Concedeu-lhes que se gloriassem de suas maravilhas, louvassem o seu Nome santo e proclamassem as grandezas de suas obras. Firmou com eles uma aliança eterna e mostrou-lhes sua justiça e seus julgamentos. E a cada um deu mandamentos em relação ao seu próximo. Os caminhos dos homens estão sempre diante do Senhor e não podem ficar ocultos a seus olhos” (Eclo 17, 1-2; 5-8; 10; 12-13).
Jesus Cristo, em diversos momentos de sua pregação evangélica, demonstrou o seu grande apreço e o seu amor preferencial pelas crianças. Pois, Jesus as via como sendo aquelas pessoas que, espontaneamente, com toda singeleza e simplicidade, se assemelhavam a ele e viviam uma vida em conformidade ao seu Evangelho. Sem polemizar com a doutrina da Igreja Católica sobre o pecado original, Jesus dizia que as crianças eram as melhores discípulas dele. Pois elas, em sua inocência e na sua humilde simplicidade, praticavam com naturalidade e perfeição as melhores virtudes evangélicas, tornando-se, assim, as melhores discípulas dele; ao ponto de Jesus apresentá-las como exemplo para todos os discípulos adultos. Por isso, Jesus dizia aos seus discípulos: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc 10, 14-15).
Por esta razão, Jesus Cristo se sentia bem à vontade e feliz de ensinar o seu Evangelho às pessoas mais simples e humildes, visto que estas pessoas recebiam as suas palavras do mesmo modo como as crianças o recebiam. Pois, os humildes e os de pouca instrução costumavam acolher o Evangelho do Reino com maior prontidão, solicitude e fé do que aqueles que eram os grandes mestres, que logo questionavam tudo e, cheios de presunção, refutavam com hostilidade a sua palavra. Por tal motivo, com toda satisfação, Jesus Cristo elevou ao Pai a seguinte oração, dizendo: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores” (Mt 11, 25)!
Portanto, todos aqueles que são simples e humildes como as crianças, e que temem ao Senhor, não lhes faltarão as graças divinas para preservarem-se na dignidade e na santidade. Como disse o profeta: “Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. E o amor do Senhor Deus por quem o teme é de sempre e perdura para sempre” (Sl 102, 13; 17).
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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