

Passados quarenta dias, Noé abriu a janela, que tinha feito na arca, e soltou um corvo, que ficou revoando, até que secassem as águas sobre a terra. Soltou, também, uma pomba para ver se as águas tinham baixado sobre a face da terra. Mas a pomba, não achando onde pousar, voltou para junto dele na arca; porque as águas ainda cobriam a superfície de toda a terra. Noé estendeu a mão para fora, apanhou a pomba e recolheu-a na arca. Esperou, então, mais sete dias e soltou de novo a pomba. Pela tardinha, ela voltou, e eis que trazia no bico um ramo de oliveira com as folhas verdes. Assim, Noé compreendeu que as águas tinham cessado de cobrir a terra. Esperou ainda sete dias, e soltou a pomba, que não voltou mais. Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas se retiraram da terra. Noé abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca. Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: “Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz. Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite, jamais hão de acabar”.
Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido. É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido; nos átrios da casa do Senhor, em teu meio, ó cidade de Sião!
Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê o Espírito de sabedoria; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança!
Naquele tempo, Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: “Estás vendo alguma coisa?” O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”. Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!”
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos coloca diante de dois temas completamente distintos. A leitura do Livro do Gênesis e o Salmo 115 nos apresentam a salvação do justo Noé das águas do Dilúvio. Diante disto, somos levados a crer que este fato do Antigo Testamento tinha sua relação profética com Jesus Cristo, o nosso Salvador, e com o sacramento do Batismo, que ele mesmo instituiu para a remissão de nossos pecados. No Evangelho que acabamos de ouvir, foi-nos apresentado Jesus Cristo curando um cego. E Jesus curou o cego lavando os olhos enfermos com a água de sua saliva. Com este gesto Jesus mostrar-nos uma imagem do Batismo que purifica, cura e ilumina a nossa alma das trevas do pecado!
Deste modo, caros irmãos, como vimos na leitura do Livro do Gênesis, Noé foi o primeiro patriarca antigo a fazer referência sobre a promessa divina de salvação da humanidade. Pois, no exato momento em que a humanidade chegara ao nível máximo de corrupção, mergulhada na malignidade e no pecado, Deus veio ao seu encontro para resgatá-la e salvá-la do extermínio completo. Deus quis realizar a salvação da humanidade, naquele momento, mediante um homem apenas, que era justo e não se deixara contaminar na iniquidade, servindo-se do lenho da Arca. Na verdade, pelo que parece, Noé se apresentara diante de Deus como o único homem justo que Deus, naquele momento, encontrara no mundo, conforme o testemunho do autor sagrado: “Noé encontrou graça aos olhos do Senhor. O Senhor disse a Noé: ‘Entra na arca com toda a tua família, pois tu és o único homem justo que vejo no meio desta geração'” (Gn 6,8-7,1).
Assim como por meio de um único justo, Noé, a humanidade foii salva da mortandade do Dilúvio; também, o único e verdadeiramente justo e santo, Jesus Cristo, se tornou o salvador de toda a humanidade, resgatando-a da morte eterna. Assim como a humanidade fora, outrora, salva pelo lenho da Arca de Noé; Jesus Cristo, o Salvador, salvou a humanidade, resgatando-a da corrupção do mal e da morte, mediante o lenho da sua Cruz. Assim como Deus purificara a humanidade, fazendo-a passar pelas águas do Dilúvio, na qual os iníquos foram mortos e o justo sobreviveu; de forma semelhante aconteceu com a nova humanidade, que renasceu nas águas do Batismo! Pois, o homem velho, repleto de pecados, passando pelas águas do Batismo, obteve a graça de se regenerar e renascer para uma vida nova. Assim, mediante as águas do Batismo, a humanidade nova encontrou a salvação, regenerando-se na graça e no sangue de Cristo.
Nos dias do Dilúvio, “Noé, então, vendo que as águas baixaram, abriu o teto da arca, olhou e viu que toda a superfície da terra estava seca. Então Noé construiu um altar ao Senhor e, tomando animais e aves de todas as espécies puras, ofereceu holocaustos sobre o altar. O Senhor aspirou o agradável odor e disse consigo mesmo: ‘Nunca mais tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a juventude. Não tornarei, também, a ferir todos os seres vivos, como fiz'” (Gn 8, 14; 20). O justo Noé, então, reunindo em torno de si todos os seus familiares, elevou a Deus uma oração de ação de graças, dizendo: “Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido” (Sl 115, 12-14).
No Evangelho que ouvimos, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo curou um cego que vivia nas trevas deste mundo. As pessoas que trouxeram o cego até Jesus para o curar, acreditavam piamente que Jesus tinha tal poder de curá-lo; por isso, Jesus prontamente se dispôs a realizar esta obra de misericórdia, como disse o Evangelista Marcos: “Jesus, então, pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez” (Mc 8, 23; 25). Deste modo, com este milagre Jesus quis dar duas mensagem fundamentais. Primeiro, ele quis dizer que assim como ele estava curando a enfermidade dos olhos pelas águas de sua saliva, também ele haveria de curar a cegueira do pecado pelas águas do Batismo. A outra mensagem consistia no fato de que todos aqueles que assistiram ao milagre da cura do cego foram igualmente agraciados com a graça divina de abrirem-se os seus olhos da fé, para que acreditassem em Jesus Cristo, como o Messias e Senhor!
Dessa forma, todos aqueles que presenciaram o milagre da cura do cego estariam, a partir daquele momento, iluminados com a luz da fé, para acolherem Jesus Cristo e o seu Evangelho. Pois, estes homens que tiveram esse primeiro encontro com Cristo, na fé, deveriam prosseguir neste caminho de fé, firmes na esperança de sua própria salvação, como disse São Paulo: “Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê o Espírito de sabedoria; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança” (Ef 1, 17-18)!
WhatsApp us