

Todo sacerdote se apresenta diariamente para celebrar o culto, oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, incapazes de apagar os pecados. Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. Não lhe resta mais senão esperar até que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica. É isto que também nos atesta o Espírito Santo, porque, depois de ter dito: “Eis a aliança que farei com eles, depois daqueles dias”, o Senhor declara: “Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente, não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas iniquidades”. Ora, onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado.
Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!” O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos; tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!” Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!”
A semente é a Palavra de Deus; o Cristo é o semeador; e todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou!
Naquele tempo, Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia. Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: “Escutai! O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto. Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”. E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? O semeador semeia a Palavra. Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom, são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.
Caríssimos irmãos e irmãs! A Liturgia da Palavra de hoje nos revela que Jesus Cristo veio a este mundo como Sumo Sacerdote da Nova Aliança. Ele realizou um sacrifício de valor eterno para a remissão de nossos pecados. E, depois de ter feito isto, o Senhor semeou em nós a sua palavra, ensinando-nos o Evangelho do Reino; e derramou em nossos corações a sua graça para estarmos bem fortalecidos no combate contra as tentação e contra todo tipo de pecado.
Deste modo, caros irmãos, ouçamos o que nos disse o Espírito Santo sobre o modo como o Senhor haveria de nos livrar de nossos pecados, dizendo: “‘Eis a aliança que farei com eles, depois daqueles dias’ o Senhor declara: ‘Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente, não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas iniquidades” (Hb 10, 16-17).
Jesus Cristo exerceu o seu ministério sacerdotal neste mundo, sobretudo, mediante o anúncio de sua Palavra. Na medida em que Jesus ia anunciando o seu Evangelho ele ia, ao mesmo tempo, ensinando aos homens a perseverarem no bem e na justiça, evitando todo tipo de tentação e de pecado. A Palavra de Deus ensinada por Jesus Cristo – o Sumo Sacerdote de nossa santificação – era, com certeza, o melhor instrumento da graça divina derramada em nossos corações para evitarmos todo tipo de pecado; e para que fôssemos fortalecidos no combater contra as tentações do maligno, do mundo e da carne. “Por isso, conforme a parábola que Jesus ensinou, entendemos que a semente é a Palavra de Deus; Jesus Cristo é o semeador; e todo aquele que o encontra, vida eterna hão de encontrar” (Cfr. Mc 4, 14-20)!
Jesus Cristo quis, neste caso, explicar este mistério divino do poder redentor da Palavra de Deus como instrumento eficaz contra o pecado e contra as tentações. Por isso, ele contou a Parábola do Semeador. E logo a seguir, depois de ter contado a parábola, Jesus a interpretou, dizendo: “O semeador semeia a Palavra. Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem. Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto” (Mc 4, 14-19). Dando entender que todo discípulo do Senhor, que tiver recebido a Palavra de Deus, poderia sucumbir e ser fragorosamente derrotado pelo pecado e pelas tentações, se, na hora do combate, não fizesse uso da Palavra.
Por isso, todo cristão discípulo do Senhor que, eventualmente, voltar a cometer algum pecado, deveria humildemente se arrepender e buscar a remissão de seus pecados, que lhe seria oferecido pelo Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. “Pois, Cristo, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição definitiva os que ele santifica” (Hb 10, 12; 14). E assim, uma vez purificados e santificados de seus pecados pelo sacrifício redentor do Sumo Sacerdote, o fiel cristão encontraria, de novo, a salvação e a esperança de vida eterna.
Somente o Sumo Sacerdote Jesus Cristo tem o poder de redimir-nos e purificar-nos de nossos pecados, como testemunhou o Espírito Santo, dizendo: “‘Eis a aliança que farei com eles, depois daqueles dias’ o Senhor declara: ‘Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente, não me lembrarei mais dos seus pecados, nem das suas iniquidades’. Ora, onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado” (Hb 10, 16-18). “Pois, o Senhor jurou e manterá sua palavra: ‘Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec'” (Sl 109, 4)!
"They got up, forced him out of the town, and brought him to the brow of the hill on which their town was built, so that they could throw him down the cliff. But he passed through the crowd and went on his way. (Luke, Chapter 4, 29-30). Woodcut after a drawing by Julius Schnorr von Carolsfeld (German painter, 1794 - 1872) from my archive, published in 1877."
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